A história da portuguesa que se juntou ao Daesh e que agora quer voltar para Portugal

A história da portuguesa que se juntou ao Daesh e que agora quer voltar para Portugal

Ângela Barreto fugiu de Portugal para a Síria para se casar com um português e se juntar ao Estado Islâmico, em agosto de 2014.

Há cinco anos que Ângelo Barreto se veste de negro e não mostra a cara. Fugiu da Holanda, onde vivia com a família, natural de Abrantes, para a Síria em 2014 para se juntar ao Daesh. Casou-se com um combatente português, Fábio Poças, e teve dois filhos. Com a derrota militar do Daesh, a mulher, de 24 anos, ficou viúva e na semana passada perdeu a filha de três anos.

Numa entrevista à RTP, Ângela diz que gostaria de voltar. «Se me aceitarem, estou disposta a ir para Portugal.» A vida da jovem está confinada a um campo de trânsito em território curdo-sírio, onde existem pessoas de 54 nacionalidades, falta de água, de comida e de medicamentos.

A jovem tem dois passaportes, um holandês e outro português, e durante muito tempo ignorou a família. Mas sabe que têm tentado junto do governo português o repatriamento. Ângela tem a noção de que é difícil o regresso para Portugal. «Sei que não têm aceitado pessoas de volta. Se não me aceitarem tenho de ver como saio disto.»

Continua a acreditar «num estado que siga as regras do Islão», mas diz que o «Estado Islâmico foi noutra direção». «Eu apoio as regras do Islão: usar o hijab, não fumar. Esse é o Estado que defendo. Por vezes, o Estado Islâmico foi noutras direções”, disse Ângela Barreto numa entrevista à RTP, emitida esta quarta-feira, 10 de abril.

A jovem chegou ao campo Baghouz, onde se encontra a viver neste momento, com os dois filhos – um menino de dois anos e uma menina de três. O companheiro, Fábio Poças, foi «martirizado» pelo Daesh. A filha morreu na semana passada, um dia antes da entrevista com o canal português. A menina terá sido atingida por estilhaços na sequência de um bombardeamento, no final de março. «Esteve dez dias no hospital e nos primeiros cinco dias não me permitiram estar com ela. Ia todos os dias à direção do campo dizer que queria ir ter com a minha filha, mas diziam-me que não podia», conta Ângela.

O estilhaço penetrou no cérebro da menina e esta acabou por não resistir. «Ainda bem que a minha filha partiu porque isto aqui não é fácil.» Bombardeamentos a toda a hora e atiradores furtivos fazem parte da realidade da portuguesa.

Ângela Barreto também não pode regressar à Holanda, porque tem um mandado de captura emitido pela Polícia desde dezembro de 2016 depois de ter convencido três menores a fugir para a Síria.

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