Patriarca de Lisboa destaca “clareza doutrinal” do papa emérito

O cardeal-patriarca de Lisboa realçou hoje a “enorme clareza doutrinal” do papa emérito Bento XVI, que hoje morreu aos 95 anos, destacando, em particular, a abertura ao diálogo “dentro e fora da Igreja”.

Patriarca de Lisboa destaca

Patriarca de Lisboa destaca “clareza doutrinal” do papa emérito

O cardeal-patriarca de Lisboa realçou hoje a “enorme clareza doutrinal” do papa emérito Bento XVI, que hoje morreu aos 95 anos, destacando, em particular, a abertura ao diálogo “dentro e fora da Igreja”.

Manuel Clemente considerou, em declarações à agência Ecclesia, que este é o momento para “uma ação de graças” pela vida de Bento XVI, “pelo que ela significou, pelo seu pontificado e pela sua enorme clareza do ponto de vista doutrinal, que não foi de modo algum de fechamento, mas de grande abertura à atualidade, das pessoas com quem dialogou, dentro e fora da Igreja e na maneira como ele conseguiu expressar as verdades da (…) fé, numa linguagem coerente, clara e atual”.

Na sua mensagem, o cardeal-patriarca sublinha, por outro lado, a “coragem” de Joseph Ratzinger ao pedir a resignação ao papado, “quando sentiu não ter condições para continuar a exercer o ministério”.

Para Manuel Clemente, Bento XVI foi uma figura “gigantesca, do ponto de vista teológico, filosófico, pastoral e pontifical”.

O patriarca de Lisboa evocou ainda as deslocações de Bento XVI a Portugal, e a sua ligação à mensagem de Fátima: “Muito ligado a Portugal, onde veio, teve ocasião de visitar Fátima, com os pastorinhos, com a explicação da terceira parte do segredo de Fátima, que tantas dúvidas levantava e que afinal liga a mensagem e Fátima e o que os pastorinhos viveram à vida e ao drama da Igreja e do mundo, neste século e no século passado”, assinalou.

Por sua vez, o arcebispo de Braga, José Cordeiro, numa nota publicada na página da arquidiocese na Internet, recorda “com viva gratidão” a eleição do cardeal Joseph Ratzinger para o papado, em 2005.

“Estava em Roma e fui convidado a comentar para a RTP os acontecimentos: as exéquias de São João Paulo II; o conclave; o dia do fumo branco e o início do ministério petrino de Bento XVI”, escreve José Cordeiro.

“O Papa Bento XVI deixa-nos um legado que nos desafia a alargar a racionalidade, isto é, à harmonia da fé e da razão na construção de um mundo melhor: “As palavras de Jesus nunca cessam de ser maiores do que a nossa razão; superam, sempre de novo, a nossa inteligência… Crer significa submeter-se a esta grandeza e crescer pouco a pouco rumo a ela”, acrescenta.

Entretanto, começam a surgir indicações sobre cerimónias que as dioceses portuguesas vão realizar em memória do papa Bento XVI. Assim, o Patriarcado de Lisboa anunciou já que vai celebrar uma missa de sufrágio por Bento XVI, na segunda-feira, 02 de janeiro de 2023, às 19:00, na Sé Patriarcal.

Numa nota ao clero da diocese, é ainda recomendado que, “nas igrejas, se dobrem os sinos a anunciar ao povo de Deus” a morte do papa emérito.

Também a diocese do Funchal já anunciou que, no dia 07 de janeiro, será celebrada uma missa por Bento XVI, às 11:00, na catedral local, pelo bispo Nuno Brás.

O papa emérito Bento XVI abalou a Igreja ao resignar do pontificado por motivos de saúde, a 11 de fevereiro de 2013, a dois meses de comemorar oito anos no cargo.

Joseph Ratzinger nasceu em 1927 em Marktl am Inn, na diocese alemã de Passau, e foi Papa entre 2005 e 2013.

Ratzinger tornou-se no primeiro alemão a chefiar a Igreja Católica em muitos séculos e um representante da linha mais dogmática da Igreja.

Os abusos sexuais a menores por padres e o “Vatileaks”, caso em que se revelaram documentos confidenciais do papa, foram casos que agitaram o seu pontificado.

Bento XVI ordenou uma inspeção às dioceses envolvidas, classificou os abusos como um “crime hediondo” e pediu desculpa às vítimas.

Durante a viagem a Portugal, em maio de 2010, Bento XVI disse que “o perdão não substitui a justiça”.

JLG // CC

By Impala News / Lusa

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