ONU pede “investigação independente” a incêndio que matou dezenas de migrantes no Iémen

O emissário da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, pediu hoje ao Conselho de Segurança uma “investigação independente” ao incêndio que, na semana passada, matou em Sanaa dezenas de migrantes, sobretudo etíopes.

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ONU pede “investigação independente” a incêndio que matou dezenas de migrantes no Iémen

O emissário da ONU para o Iémen, Martin Griffiths, pediu hoje ao Conselho de Segurança uma “investigação independente” ao incêndio que, na semana passada, matou em Sanaa dezenas de migrantes, sobretudo etíopes.

Evocando “um incêndio horrível e extraordinário” num centro de detenção, Griffiths confirmou que o fogo provocou “dezenas de mortes e mais de 170 feridos graves”.

Hoje, a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusou os rebeldes Huthis do Iémen de, a 07 deste mês, terem lançado “projéteis não identificados” contra o centro de acolhimento de migrantes em Sanaa, provocando o incêndio que matou dezenas de pessoas.

Segundo a organização de direitos humanos, os guardas do centro “reuniram, num armazém, os migrantes, sobretudo etíopes, que protestavam contra as condições de detenção” e lançaram dois projéteis, um dos quais “explodiu ruidosamente e deu início a um incêndio”.

A organização adiantou ainda que centenas de sobreviventes têm queimaduras graves e estão nos hospitais da capital, mas estão sempre a ser vigiados pelos Huthis, o que dificulta o acesso das organizações humanitárias aos feridos.

Um vídeo obtido de uma testemunha e verificado pela agência noticiosa France-Presse (AFP) mostra dezenas de corpos carbonizados deitados uns em cima dos outros numa sala escura, no meio de gritos e lágrimas dos sobreviventes. 

“Devemos fazer todo o possível para permitir que o Iémen respire”, afirmou Griffiths.

O emissário da ONU falou da ofensiva dos Huthis na região de Marib (norte) que continua a “colocar civis em risco, incluindo um milhão de deslocados”.

“As crianças são cada vez mais atraídas para a guerra, destruindo o seu futuro”, acrescentou, manifestando preocupação com a “intensificação dos ataques com mísseis e drones” (veículos aéreos não tripulados) contra civis e infraestruturas comerciais na Arábia Saudita.

“Também estamos a assistir à abertura de outras frentes no Iémen, incluindo uma escalada militar em Hajjah e Taiz”, disse Griffiths.

O secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, lamentou mais uma vez o risco de fome que está a crescer no país.

“Não estamos a conseguir deter a fome. Porquê? O primeiro motivo parece ser porque custa muito dinheiro”, afirmou, acrescentando que não há recursos financeiros suficientes. 

Uma conferência internacional de doadores arrecadou recentemente apenas 1.700 milhões de dólares (1.425 milhões de euros) dos 3.850 milhões (3.230 milhões de euros) esperados.

Nos últimos seis anos, o Iémen tem sido devastado por uma guerra que opõe os Huthis, apoiados pelo Irão, às forças do Governo, apoiadas por uma coligação liderada por Riade.

O conflito provocou a morte de dezenas de milhares de pessoas, de acordo com as organizações não governamentais presentes no terreno, e levou à pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU.

Apesar da guerra, os migrantes do corno de África continuam a passar pelo Iémen na esperança de chegarem a países vizinhos, os Estados ricos do Golfo.

JSD // FPA

By Impala News / Lusa

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