ONU denuncia novo ataque contra uma base da sua missão na RDCongo

A ONU denunciou um novo ataque realizado na quinta-feira com bombas incendiárias artesanais contra uma base da Monusco, a sua missão na República Democrática do Congo (RDCongo), na cidade de Beni.

ONU denuncia novo ataque contra uma base da sua missão na RDCongo

ONU denuncia novo ataque contra uma base da sua missão na RDCongo

A ONU denunciou um novo ataque realizado na quinta-feira com bombas incendiárias artesanais contra uma base da Monusco, a sua missão na República Democrática do Congo (RDCongo), na cidade de Beni.

A posição da ONU foi expressa por Farhan Haq, porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, que acrescentou que a organização está preocupada com informações relativas à participação de milicianos mai-mai nas recentes manifestações contra os “capacetes azuis” em vários pontos do país.

“As ameaças contra a missão continuam a circular nas redes sociais”, denunciou.

Farhan Haq reconheceu que a situação “é tensa e frágil” e lamentou que “os manifestantes continuem a atacar as bases das forças de paz da ONU, embora em menor grau do que nos dias anteriores”.

O porta-voz adjunto confirmou que “num acampamento em Uvira, os manifestantes atravessaram brevemente o perímetro e danificaram alguns veículos”, enquanto em Beni “atiraram bombas explosivas artesanais na base de Boikene”.

“Uma tentativa de invadir o complexo de Madiba foi impedida”, adiantou.

Farhan Haq enfatizou que “a Monusco continua em estado de alerta e a trabalhar em estreita colaboração com as forças de segurança locais e interagindo com as autoridades nacionais, sociedade civil e grupos comunitários para restaurar a confiança e a calma”.

“Reconhecemos os esforços dos atores políticos e comunitários para restaurar a calma pedindo às pessoas que evitem a violência contra a missão. Particularmente em Goma, Nyamilina e Rwindi, o aumento da presença de forças de segurança nacional perto de nossos complexos ajudou a deter a violência contra o pessoal da ONU e bases”, explicou Haq.

Por último, sublinhou que “a Monusco está disposta a trabalhar com as autoridades da RDCongo para investigar os incidentes em que manifestantes foram mortos ou feridos”.

“A missão também continua o seu trabalho com as autoridades e a população da RDCongo para proteger civis, deter grupos armados e capacitar instituições e serviços estatais”, concluiu.

Farhan Haq disse na terça-feira que o ataque contra uma base da Monusco em Butembo no contexto destes protestos, que resultou na morte de um ‘capacete azul’ e de dois polícias da missão, pode constituir um crime de guerra.

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, manifestou-se igualmente preocupado com a situação no leste da RDCongo e condenou “vigorosamente” a “incitação ao ódio” e “ataques contra a Monusco”.

Faki Mahamat pediu calma para permitir que as iniciativas lançadas pela organização, liderada pelo Presidente angolano, João Lourenço, e pela Comunidade Económica da África Oriental a favor da paz “continuem”.

Nesse sentido, pediu “a cessação imediata de todas as formas de violência da população e grupos armados contra pessoas, bens e a missão da ONU na RDCongo” e pediu às autoridades que “adotem todas as medidas necessárias para acabar com a violência e restabelecer a calma na região”.

A Monusco está implantada no nordeste da RDCongo há mais de 20 anos, na tentativa de fortalecer a paz no país, apesar da presença de cerca de 130 grupos armados que disputam o controlo dos vastos recursos naturais existentes, designadamente cobre, cobalto, ouro e diamantes.

Presente na RDCongo desde 1999, a Monuc (Missão da ONU na RDCongo) que se tornou Monusco (Missão da ONU para a Estabilização na RDCongo) com a evolução do seu mandato em 2010, é considerada uma das maiores e mais caras missões da ONU do mundo, com um orçamento anual de mil milhões de dólares (cerca de 980 milhões de euros, ao câmbio atual).

A missão da ONU conta atualmente com mais de 14.000 “capacetes azuis”.

EL // VM

By Impala News / Lusa

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