Omayra Sanchez e a morte que foi transmitida em direto

A erupção do vulcão Nevado del Ruiz fez com Omayra Garzón ficasse presa no betão e escombros da cintura para baixo. A única opção era cortar-lhe as pernas… sem equipamento cirúrgico.

Omayra Sanchez e a morte que foi transmitida em direto

A erupção do vulcão Nevado del Ruiz fez com Omayra Garzón ficasse presa no betão e escombros da cintura para baixo. A única opção era cortar-lhe as pernas… sem equipamento cirúrgico.

Omayra Sanchez Garzón, filha de Álvaro Enrique e Maria Aleida, foi uma jovem de 13 anos que morreu devido a erupção do vulcão Nevado Del Ruiz, em 1985. Neste desastre natural, morreram mais de 25 mil pessoas e 13 aldeias – incluindo Armeno – foram destruídas. A menina morava no bairro de Santander com os pais, o irmão e a tia. Antes da erupção a mãe viajou para Bogotá a negócios. Pelas 21h09 de 13 de Novembro de 1985, o vulcão entrou em erupção e fluxos piroclásticos derreteram a calota glacial da montanha. Formaram ondas de fluxos de lama vulcânica e de detritos.

Omayra e a família estavam acordados e preocupados com a queda de cinzas, quando ouviram o som de uma destas ondas a aproximar-se. Depois de ter atingido a casa, a menina ficou presa no betão e noutros escombros e não conseguiu sair. Acabou por ser foi libertada dos escombros da cintura para cima após um homem ter visto a sua mão. No entanto, cada vez que a equipa de regaste tentava puxá-la, a água subia, podendo afogar-se. Os mergulhadores descobriram que, para além dos escombros, os braços da tia já morta estava agarrar-lhe pernas e pés.

Apesar de tudo, Omayra manteve-se relativamente positiva: cantou para um jornalista que trabalhava como voluntário, pediu comida doce, bebeu sumos e concordou em ser entrevistada. Às vezes, ficava com medo e orava ou chorava. Na terceira noite, começou a ter alucinações. Dizia que não queria atrasar-se para a escola e mencionou um teste de matemática. Os olhos de começaram a ficar vermelhos, o rosto inchou e as mãos ficaram brancas. A certa altura, pediu às pessoas que a deixassem para que elas próprias pudessem descansar.

Amputação seria feita sem equipamento cirúrgico

Horas depois, os trabalhadores voltaram com uma bomba de oxigénio e tentaram salvá-la, mas a missão era quase impossível. As pernas estavam dobradas, como se estivesse ajoelhada, e só cortando as pernas era possível libertá-la. Na falta de equipamento cirúrgico para salvá-la dos efeitos de uma amputação, os médicos presentes concordaram que seria mais humano deixá-la morrer. Ao todo, sofreu durante praticamente três noites (cerca de 60 horas) antes de morrer aproximadamente às 10h05 de 16 de novembro. Gangrena e/ou hipotermia poderão ter sido as causas da morte.

À medida que o público tomava conhecimento da situação pelas notícias, a morte tornou-se um símbolo do fracasso das autoridades em ajudar as vítimas que poderiam ter sido salvas. Trabalhadores voluntários de ajuda humanitária lamentaram a falta de recursos básicos como pás, ferramentas de corte e macas. Frank Fournier, um repórter francês que desembarcou em Bogotá em 15 de novembro, tirou uma foto de Sánchez em seus últimos dias, intitulada “A Agonia de Omayra Sánchez”.

Fournier mais tarde descreveu a cidade como “muito assustadora”, com um “silêncio assombroso” pontuado por gritos. Disse que tirou a fotografia porque que só assim poderia “relatar adequadamente a coragem, o sofrimento e a dignidade da menina”. De acordo com o centro de monitoração vulcânico da Colômbia, o vulcão continua ativo. As estimativas mostram que até 500 mil pessoas que vivem nos vales Combeima, Chinchiná, Coello-Toche e Guali estão em risco. A cidade de Armero não mais existe. O local foi deixado como um memorial com cruzes cristãs e um pequeno monumento a Omayra.

Fotos: Reprodução Twitter @CrimesReais

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