Nagorno-Karabakh: Amnistia pede investigação sobre crimes de guerra

As forças armadas do Azerbaijão e da Arménia cometeram crimes de guerra durante o conflito de 44 dias em Nagorno-Karabakh, que terminou há um mês, denunciou hoje a Amnistia Internacional, exigindo que ambos os países façam uma investigação.

Nagorno-Karabakh: Amnistia pede investigação sobre crimes de guerra

Nagorno-Karabakh: Amnistia pede investigação sobre crimes de guerra

As forças armadas do Azerbaijão e da Arménia cometeram crimes de guerra durante o conflito de 44 dias em Nagorno-Karabakh, que terminou há um mês, denunciou hoje a Amnistia Internacional, exigindo que ambos os países façam uma investigação.

A organização não-governamental de direitos humanos referiu, num comunicado, que analisou 22 vídeos de execuções extrajudiciais, maus-tratos a prisioneiros de guerra e outros prisioneiros e profanação de soldados inimigos.

A AI assegurou que os vídeos, publicados em contas privadas e grupos do Telegram, são autênticos.

A organização afirmou que duas das gravações documentam “decapitações extrajudiciais por militares” do Azerbaijão e uma terceira mostra um guarda de fronteira do Azerbaijão que teve “o pescoço cortado”.

Mais onze vídeos mostram violações cometidas por forças arménias e mais sete por indivíduos do Azerbaijão, de acordo com a Amnistia.

De acordo com esta organização, vários vídeos mostram como soldados arménios cortaram a orelha de um soldado do Azerbaijão morto, arrastam um soldado pelo chão com uma corda amarrada às suas pernas e param quando o colocam sobre o cadáver de outro soldado do Azerbaijão.

Em outros vídeos, acrescenta AI, soldados do Azerbaijão chutam, espancam e vendam prisioneiros arménios e forçam-nos a criticar o seu Governo em frente às câmaras.

“O direito internacional humanitário proíbe expressamente atos de violência contra qualquer detido, incluindo prisioneiros de guerra, a mutilação de cadáveres e a filmagem de confissões ou queixas para fins de propaganda”, disse AI.

Enfatizou que “assassínio intencional, tortura ou tratamento desumano, bem como a violação da dignidade humana, em particular o tratamento humilhante ou degradante e a profanação dos corpos dos mortos, são crimes de guerra”.

“Durante os recentes combates em Nagorno-Karabakh, os militares de ambos os lados comportaram-se de uma maneira monstruosa, mostrando total desrespeito pelas regras da guerra”, disse num comunicado o diretor de investigação da AI para a Europa Oriental e Ásia Central, Denis Krivosheev.

“As autoridades do Azerbaijão e da Arménia devem realizar imediatamente uma investigação independente e imparcial e determinar todos os responsáveis por esses crimes”, enfatizou AI.

“Os perpetradores, assim como todos os comandantes, sem exceção, que deram ordens, permitiram ou perdoaram esses crimes, devem ser levados à justiça”, sublinhou AI.

A região separatista de Nagorno Karabakh é reconhecida internacionalmente como território do Azerbaijão, mas tem sido povoado e controlado por arménios desde a guerra dos anos 1990.

Nagorno-Karabakh proclamou a sua independência do Azerbaijão há quase 30 anos, mas não foi reconhecida pela comunidade internacional.

Após seis semanas de combates que começaram em 27 de setembro deste ano, um acordo de cessação das hostilidades foi finalmente assinado em 09 de novembro, no momento em que a situação militar era catastrófica para a Arménia (aliada dos separatistas).

Sob os termos do acordo, que entrou em vigor em 10 de novembro, a Arménia prometeu devolver vários distritos do Azerbaijão fora do controlo de Baku há 30 anos.

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By Impala News / Lusa

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