MP pede “condenação exemplar” para polícias acusados de roubo de casino em Maputo

O Ministério Público (MP) moçambicano pediu hoje uma “condenação exemplar” aos agentes da polícia que estão entre os sete acusados de roubo de dez milhões de meticais (127 mi euros) de um casino em Maputo.

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MP pede “condenação exemplar” para polícias acusados de roubo de casino em Maputo

O Ministério Público (MP) moçambicano pediu hoje uma “condenação exemplar” aos agentes da polícia que estão entre os sete acusados de roubo de dez milhões de meticais (127 mi euros) de um casino em Maputo.

Durante as alegações finais hoje no Tribunal Judicial da cidade de Maputo, o Ministério Público (MP) pediu a condenação exemplar dos oito arguidos, com destaque para os cinco polícias, apontando como “agravante o facto de serem servidores públicos”.

“Os agentes da polícia que deviam zelar pela ordem e segurança pública, mas, pautaram por comportamento criminoso”, refere a acusação do MP.

Além dos cinco polícias, há mais dois funcionários do casino acusados no processo.

O assalto aconteceu em 31 de julho de 2019 na cidade de Maputo, após o gerente do Casino Marina ter levantado 10 milhões de meticais num dos bancos comerciais da mesma urbe.

O gerente estava na companhia de um dos motoristas do casino, hoje no banco dos réus, quando a viatura em que seguiam foi bloqueada por outras duas.

Das duas viaturas saíram dois indivíduos e apresentaram-se como agentes da polícia.

Segundo a acusação, o motorista do casino não ofereceu resistência e destrancou o carro, desobedecendo ao gerente e facilitando o processo para os assaltantes, que se apoderaram do montante total de 10 milhões de meticais.

O gerente ordenou que o motorista do casino perseguisse as viaturas dos polícias, mas o motorista declinou mais uma vez.

O MP entende que o comportamento do motorista “visava facilitar a fuga dos assaltantes”, o que prova o seu envolvimento no caso.

A acusação diz ainda que o motorista é o mentor do assalto, citando uma confissão obtida numa das esquadras da polícia na altura.

O motorista e sua defesa assumiram a confissão, mas alegaram que a mesma foi conseguida sob tortura e ameaças da polícia.

Segundo o despacho da acusação, os cinco membros da polícia terão visitado o casino no mês anterior, com uma falsa notificação e solicitado informações contabilísticas, mas a verdadeira intenção era “reconhecer o local” para o posterior assalto.

Foi mesmo através das imagens gravadas pelas câmaras de segurança do casino que o gerente assaltado conseguiu reconhecer um dos indiciados.

O grupo que se apresentou ao tribunal é composto por cinco elementos, dos quais quatro polícias e o motorista do casino.

Outros dois, nomeadamente a administrativa do casino e mais um agente da polícia, estão foragidos.

Todos são acusados de crime de roubo qualificado, associação para delinquir, uso de armas proibidas, tendo como agravante a o facto de serem servidores públicos para o caso dos polícias.

Os indiciados negam todas as acusações e pediram um final favorável no processo número 76/2019.

Os advogados dizem que o MP ainda não apresentou uma prova que indica a culpa dos seus clientes e pedem restituição da liberdade.

“Há alguma penumbra neste processo. Faltam provas claras porque não existe nenhuma ligação entre a ida ao casino e o assalto referenciado”, disse à comunicação social Cristiano Machava, um dos advogados de defesa do caso.

A sentença será conhecida no dia 24 de junho de 2020.

RYR // EL

By Impala News / Lusa

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