Morre arcebispo Cláudio Hummes, que liderou o Sínodo da Amazónia no Brasil

O cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, Cláudio Hummes, que liderou o Sínodo da Amazónia e era empenhado no combate à crise climática, morreu hoje aos 87 anos, vítima de um cancro, informaram fontes da Igreja Católica.

Morre arcebispo Cláudio Hummes, que liderou o Sínodo da Amazónia no Brasil

Morre arcebispo Cláudio Hummes, que liderou o Sínodo da Amazónia no Brasil

O cardeal e arcebispo emérito de São Paulo, Cláudio Hummes, que liderou o Sínodo da Amazónia e era empenhado no combate à crise climática, morreu hoje aos 87 anos, vítima de um cancro, informaram fontes da Igreja Católica.

Numa nota de pesar, o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, comunicou “com grande pesar, o falecimento do Eminentíssimo Cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e prefeito da Congregação para o Clero, no dia de hoje”. Hummes, que em 2006 foi nomeado pelo Papa Bento XVI como prefeito da Congregação para o Clero do Vaticano e membro da Ordem Franciscana dos Frades Menores desde 1952, tornou-se conhecido no Brasil há cerca de 40 anos como responsável pela Pastoral Obrera, na qual atuou entre 1979 e 1990.

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Em 2013, participou do conclave que elegeu o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, que depois da sua eleição confessou ter adotado nome de Francisco em seu papado inspirado na figura de Hummes. “Durante a eleição, eu estava ao lado do arcebispo de São Paulo Cláudio Hummes, um grande amigo (…) Quando as coisas ficaram perigosas, ele me confortou. Abraçou-me e beijou-me e disse-me: e não te esqueças dos pobres”, revelou o Papa Francisco. “Imediatamente, em relação aos pobres, pensei em Francisco de Assis, nas guerras (…) o homem da pobreza, o homem da paz”, acrescentou o pontífice.

Nos seus primeiros dias à frente da Pastoral Obrera, Hummes apoiou greves sindicais maciças em tempos de ditadura militar que governou o Brasil (1964-1985) e chegou a sediar algumas reuniões clandestinas de lideranças trabalhistas numa igreja. No entanto, o cardeal não pertencia ao grupo de padres brasileiros que aderiu à Teologia da Libertação, que considerava “ter alguns valores”, mas se distanciava da doutrina da Igreja, devido aos seus princípios marxistas.

Hummes nasceu em 8 de agosto de 1934 em Montenegro, pequeno município do estado do Rio Grande do Sul, onde em 1958 foi ordenado sacerdote e estudou filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma. Em 1975 foi nomeado bispo de Santo André pelo Papa Paulo VI e permaneceu até 1996, quando foi transferido para a Arquidiocese de Fortaleza, capital do estado do Ceará, no nordeste do Brasil, onde dedicou seu trabalho eclesiástico às famílias das periferias daquela cidade.

Hummes foi nomeado arcebispo de São Paulo em 1998 pelo Papa João Paulo II, que em 2001 o nomeou cardeal, e ocupou essas funções até que em 2006 foi transferido por Bento XVI para Roma, para assumir a Congregação para o Clero do Vaticano. Em setembro de 2019, o cardeal Hummes desempenhou um papel de liderança durante o Sínodo sobre a Amazónia, do qual foi relator.

O sínodo ocorreu num momento particularmente tenso no Brasil, com muitas críticas da comunidade internacional ao Governo do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, diante do ressurgimento dos incêndios florestais na Amazónia. O arcebispo de São Paulo, Odilo Pedro Scherer, informou que os funerais serão realizados na Catedral Metropolitana de São Paulo, onde serão celebradas missas em diversos horários ainda não definidos.

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