Moçambique/Dívidas ocultas: Admissão de culpa de banqueira incrimina Credit Suisse – ativista

A ativista Denise Namburete, do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) moçambicano, defendeu hoje que a declaração de culpa da antiga banqueira Detelina Subeva à justiça norte-americana pode levar à incriminação do Credit Suisse nas dívidas ocultas em Moçambique.

Moçambique/Dívidas ocultas: Admissão de culpa de banqueira incrimina Credit Suisse - ativista

Moçambique/Dívidas ocultas: Admissão de culpa de banqueira incrimina Credit Suisse – ativista

A ativista Denise Namburete, do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) moçambicano, defendeu hoje que a declaração de culpa da antiga banqueira Detelina Subeva à justiça norte-americana pode levar à incriminação do Credit Suisse nas dívidas ocultas em Moçambique.

“Eu acho que é uma grande reviravolta para o caso. Começamos a ter não só evidências, mas declarações de culpabilidade, o que é extremamente importante para avançar com este caso”, disse ativista, em declarações à agência Lusa, em Londres.

Para Denise Namburete, “ficou confirmada com esta declaração que o Credit Suisse tem responsabilidades, que tem falhas sérias no sistema financeiro, nas suas políticas, nos seus procedimentos. Portanto, deve ser responsabilizado”.

Aquela organização não-governamental entende também que “a Privinvest [uma das empresas envolvidas no processo das dívidas ocultas] tem de ser responsabilizada”, mas deixa em aberto as jurisdições que “vão acionar os processos legais contra as entidades [Credit Suisse e VTB e a Privinvest], não apenas contra os indivíduos”.

Em causa estão os empréstimos no valor de 2,2 mil milhões de dólares (1,97 mil milhões de euros) para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM pelas subsidiárias londrinas dos bancos Credit Suisse e do russo VTB.

Os indícios de suborno, lavagem de dinheiro e fraude levaram a justiça norte-americana a processar vários intervenientes, nomeadamente o mediador da Privinvest Jean Boustani, os antigos banqueiros do Credit Suisse Andrew Pearse e Surjan Singh e o antigo ministro das Finanças Manuel Chang.

Na segunda-feira, Detelina Subeva deu-se como culpada da acusação de conspiração para lavagem de dinheiro, ao admitir que aceitou, “juntamente com outros, em ajudar a lavar as receitas de atividades criminais, nomeadamente subornos ilegais pagos por uma empresa chamada Privinvest”.

Subeva ter-se-á dirigido voluntariamente ao tribunal de Nova Iorque, apesar de continuar em curso uma ação de extradição contra aquela antiga banqueira e os dois colegas do Credit Suisse no tribunal de magistrados de Westminster, em Londres.

Denise Namburete, que integra também a N’weti — Comunicação para a Saúde, uma das organizações membro do FMO, encontra-se em Londres, juntamente com Paula Monjane, para realizar contactos em representação da FMO, uma organização não-governamental que iniciou há alguns meses uma campanha internacional contra as dívidas ocultas de Moçambique.

Na capital britânica, as duas ativistas fizeram uma intervenção num evento no parlamento britânico, encontraram-se com deputados, sobretudo do Partido Trabalhista, e tiveram contactos com algumas agências judiciais, reguladoras e fiscalizadoras do sistema financeiro britânico, como o Serious Fraud Office (SFO), a National Crime Agency (NCA) e a Financial Conduct Authority (FCA).

“Infelizmente resultados não são positivos. autoridades britânicas estão a cooperar com EUA, mas não estão a investigar profundamente em termos criminais ou Credit Suisse ou o VTB”, adiantou Namburete.

Embora aquelas três agências sejam restritas na informação que divulgam de investigações em curso, fontes ligadas ao processo indicaram à Lusa que decorre uma investigação regulatória na FCA sobre o Credit Suisse, nomeadamente a adequação dos sistemas e controlos vigentes para evitar irregularidades, e sobre a idoneidade e competência dos três antigos funcionários.

Porém, uma investigação criminal no âmbito das leis contra a lavagem de dinheiro, foi abandonada por ter sido concluído que o capital não era de origem ilegítima, pelo que caberia ao SFO e a NCA avaliar a hipótese de ter sido cometido algum crime.

Nenhuma das entidades respondeu aos vários pedidos oficiais da Lusa para comentar o caso.

Londres é apenas uma escala do FMO nesta campanha, que também já passou por Washington e por Zurique, na Suíça, jurisdição onde tem feito um esforço para que também sejam feitas investigações.

“O Credit Suisse é registado na Suíça, embora os principais acionistas não sejam suíços. Mas acreditamos que as agências reguladoras deveriam investigar o Credit Suisse”, defendeu Namburete.

BM // PVJ

By Impala News / Lusa

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