Moçambique/Ataques: Deslocados avançam mais para sul e já recebem terra em Sofala

Os deslocados devido à violência armada em Cabo Delgado avançam cada vez mais para sul e já recebem terra em Sofala, centro de Moçambique, ao lado de quem tenta reconstruir a vida após o ciclone Idai, em 2019, anunciaram hoje as autoridades.

Moçambique/Ataques: Deslocados avançam mais para sul e já recebem terra em Sofala

Moçambique/Ataques: Deslocados avançam mais para sul e já recebem terra em Sofala

Os deslocados devido à violência armada em Cabo Delgado avançam cada vez mais para sul e já recebem terra em Sofala, centro de Moçambique, ao lado de quem tenta reconstruir a vida após o ciclone Idai, em 2019, anunciaram hoje as autoridades.

As autoridades da província de Sofala, centro de Moçambique, estão a distribuir terra para acolher famílias deslocadas devido à violência armada em Cabo Delgado, naquele que é o registo oficial de chegada mais a sul da vaga de refugiados.

“O processo [de distribuição de terra] já foi terminado. As pessoas já têm talhões, já montámos lá tendas e abrigos temporários. Cada família está no seu espaço”, disse à Lusa o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) em Sofala, Teixeira Almeida.

São ao todo 36 famílias, com 180 pessoas, que foram reassentadas em Savane, no distrito de Dondo.

“Passaáos a distribuir os talhões porque estas pessoas, provenientes de Cabo Delgado, viviam em casa de familiares e, por vezes, eram mais de 20 na mesma casa”, referiu, acrescentando que as famílias foram albergadas num bairro que surgiu para reassentar as vítimas do ciclone Idai.

“Tivemos a ousadia de levar eles para lá porque achamos que é o local mais seguro, com algumas condições criadas”, disse.

O objetivo é que, com recurso a materiais locais, possam construir as suas próprias casas, acrescentou.

Segundo o INGC, a província alberga um total de 925 famílias, com 4.625 pessoas deslocadas, entre provenientes de Cabo Delgado, assim como deslocados internos que fogem aos ataques de grupos armados nalgumas regiões da província de Sofala.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças classificadas como terroristas e que se intensificaram este ano.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de 1.000 a 2.000 vítimas.

Segundo dados oficiais, há, pelo menos, 435 mil deslocados internos.

A capital de Cabo Delgado, Pemba, está desde meados de outubro a receber uma nova vaga de deslocados, que viajam em barcos precários.

As vítimas da violência na região rica em gás natural tem se espalhado por outras regiões, nomeadamente as vizinhas províncias de Niassa e Nampula, mas as autoridades locais já tem oferecido ajuda a famílias refugiadas que chegam mais a sul, nomeadamente à Zambézia e Sofala.

LYN // JH

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS