Moçambique/Ataques: Designação de ISIS como terrorista pelos EUA não afeta ajuda humanitária – ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) assegurou hoje à Lusa que a designação do ISIS-Moçambique como organização terrorista pelos Estados Unidos da América não vai representar obstáculos à ajuda humanitária em Moçambique.

Moçambique/Ataques: Designação de ISIS como terrorista pelos EUA não afeta ajuda humanitária - ONU

Moçambique/Ataques: Designação de ISIS como terrorista pelos EUA não afeta ajuda humanitária – ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) assegurou hoje à Lusa que a designação do ISIS-Moçambique como organização terrorista pelos Estados Unidos da América não vai representar obstáculos à ajuda humanitária em Moçambique.

“Estamos prontos a trabalhar e vamos cooperar com os Estados Unidos para assegurar que as operações humanitárias continuem e a designação não tenha consequências ou impactos negativos nelas ou nas pessoas que estamos a tentar ajudar e que foram apanhadas pelo conflito em Cabo Delgado”, declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, em resposta à agência Lusa.

O porta-voz de António Guterres disse que a organização vai “trabalhar com os Estados Unidos” e assegurar que a decisão não tenha impacto no trabalho humanitário no terreno.

O Departamento de Estado norte-americano designou, em 10 de março, o braço do Estado Islâmico do Iraque e Síria (ISIS) em Moçambique, também conhecido como Ansar al-Sunna, como organização terrorista estrangeira, bloqueando assim quaisquer propriedades sobre jurisdição americana e criminalizando a relação ou fornecimento de materiais para atividades terroristas.

No dia seguinte, em conferência de imprensa, responsáveis do Departamento de Estado justificaram a decisão como “uma das ferramentas mais eficazes para desfazer redes de apoio financeiro” e impedir futuros ataques terroristas no país.

Alguns especialistas levantaram dúvidas sobre a eficácia desta decisão e referiram que a designação pode dificultar a chegada de ajuda humanitária aos sítios afetados onde o ISIS-Moçambique opera com mais frequência, argumento contrariado pela ONU.

“O nosso objetivo vai continuar a ser ajudar o povo de Moçambique e assegurar especialmente que a assistência humanitária e proteção chega a todos que precisam, em Cabo Delgado e outras províncias”, afirmou o porta-voz do secretário-geral da ONU.

Dujarric explicou que a ONU irá envolver “todos os agentes relevantes para negociar o acesso humanitário, como previsto nas resoluções da Assembleia Geral”.

As resoluções sobre assistência humanitária vão situar-se como “uma componente crítica para fornecer, de forma eficaz, assistência baseada nas necessidades” em Moçambique, acrescentou.

No sábado, António Guterres assinalou os dois anos da passagem do ciclone Idai em Moçambique e apelou a mais apoio internacional para a resposta humanitária no país.

Segundo o secretário-geral da ONU, a população moçambicana precisa da ajuda urgente de cerca de 254 milhões de dólares (ou 18,7 mil milhões de meticais) “para enfrentar a tripla crise resultante da violência, das crises climáticas e da pandemia de covid-19”.

Ainda questionado sobre possíveis futuras investigações internacionais a crimes de guerra ou violações de direitos humanos em Moçambique, como referido pela Amnistia Internacional, Stéphane Dujarric voltou a assegurar que a ONU continuará com o trabalho humanitário, ao mesmo tempo que os responsáveis pela vigilância dos direitos humanos vão continuar o seu trabalho, sem prejuízo para a assistência humanitária.

“A busca pela justiça e responsabilização não vai de maneira nenhuma impedir a busca pela paz. As duas estão, obviamente, ligadas, mas não significa que uma bloqueia a outra”, frisou o porta-voz do secretário-geral.

A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 670 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos.

A violência surgiu em 2017, algumas das incursões foram reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico entre junho de 2019 e novembro de 2020, mas a origem dos ataques continua sob debate.

EYL // LFS

By Impala News / Lusa

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