Médicos do Amadora-Sintra relatam “mortes e mutilações” no hospital

Médicos do Amadora-Sintra denunciam casos de doentes que são operados a tumores que não tinham. Ordem dos Médicos está a investigar a denúncia.

Médicos do Amadora-Sintra relatam “mortes e mutilações” no hospital

Médicos do Amadora-Sintra relatam “mortes e mutilações” no hospital

Médicos do Amadora-Sintra denunciam casos de doentes que são operados a tumores que não tinham. Ordem dos Médicos está a investigar a denúncia.

É uma revelação chocante que promete fazer correr muita tinta. Médicos do Amadora-Sintra denunciam casos em que pacientes são operados a tumores inexistentes. É relatado um caso de um doente que morreu “exsanguinado” depois de 15 transfusões. A notícia é avançada pelo Expresso com o jornal a garantir que a Ordem dos Médicos e a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde já deram início a investigações para apurar o que terá acontecido.

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Salienta a publicação que dois cirurgiões do referido hospital fizeram queixa à Ordem dos Médicos que 22 doentes operados naquela unidade hospitalar “morreram ou ficaram mutilados” na sequência de más práticas da equipa cirúrgica. Os casos aconteceram ao longo de 2022 e 17 foram relatados à direção clínica do Amadora-Sintra em outubro. Outros cinco foram denunciados em novembro. De acordo com o Expresso, a queixa à Ordem dos Médicos foi feita em dezembro, através de correio eletrónico.

“Existem situações de prejuízo de vida e qualidade de vida graves, com mortalidade e mutilações desnecessárias”

Na mensagem enviada à Ordem dos Médicos, um dos autores da denúncia garante que “existem situações de prejuízo de vida e qualidade de vida graves, com mortalidade e mutilações desnecessárias, evitáveis, que resultam de uma prestação de cuidados ao doente cirúrgico que não coincide com a legis artis”. Referindo ainda que a queixa não é focada num “médico em particular, mas sim numa situação sistémica”. Uma segunda denúncia revela a existência de outros casos, “embora de gravidade significativamente menor, com doentes ‘perdidos’ no serviço de cirurgia geral, avaliados por jovens médicos voluntariosos, mas inexperientes, que, embora estejam a dar o seu melhor, pouco ou nada são corrigidos ou orientados”. “A mortalidade não esperada não pode ser entendida como consequência óbvia do quadro clínico e uma fatalidade da responsabilidade do doente ou do equipamento utilizado, mas antes a consequência das opções de quem assume e define a estratégia em cada momento”, pode ler-se na queixa dada a conhecer pelo Expresso.

Um doente foi operado ao pâncreas devido a um tumor que não tinha

Nas queixas são detalhados alguns casos. Como o da intervenção a um paciente com perto de 60 anos, operado ao baço sem indicação para cirurgia. E que acabou por perder a vida “exsanguinado, com perto de 15 transfusões”, logo a seguir à cirurgia. Um outro doente, com idade aproximada, foi operado ao pâncreas devido a um tumor que não tinha. É ainda salientado o caso de um “doente que fez radioterapia e não tinha tumor”. Escreve o Expresso que a administração do hospital confirma a receção das denúncias no dia 6 de outubro. Tendo comunicado as mesmas à Ordem dos Médicos, que deu início à investigação. Também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde deu início a “um processo de natureza disciplinar para apurar os factos e aguarda resultados das investigações realizadas”. Por fim, salienta o jornal que fonte próxima do processo garante que um inquérito preliminar não revelou sinais de que tivesse existido uma violação da legis artis.

Texto: Bruno Seruca

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