Medicamentos inovadores evitaram 110 mil mortes em Portugal

Medicamentos inovadores evitaram 110 mil mortes em Portugal

Medicamentos avaliados em 60 e 80 mil milhões de euros evitaram 110 mil mortes em Portugal desde 1990 e adicionaram dois milhões de anos de vida saudável.

O estudo «O valor do medicamento em Portugal», elaborado pela consultora ‘McKinsey & Company’, analisou dados referentes ao «valor dos medicamentos em Portugal». O estudo teve em conta o valor humano, social e económico dos medicamentos.

O estudo selecionou oito doenças (cancro do pulmão, cancro colorretal, esquizofrenia, VIH/sida, insuficiência cardíaca, diabetes, artrite reumatoide, doença pulmonar obstrutiva crónica). Estas representam 15% do peso total de doença em Portugal. Desta forma, pode perceber o impacto dos medicamentos na estabilização ou até mesmo cura das doenças.

A investigação concluiu que os medicamentos inovadores trouxeram benefícios superiores à despesa total do país em fármacos.

Desde 1990, evitaram mais de 110 mil mortes. Contribuíram para o aumento da esperança de vida até 10 anos e acrescentaram dois milhões de anos de vida saudável.

«O valor dos anos de vida saudável ganhos nas oitos doenças representa entre cinco a sete mil milhões de euros anuais, acima do gasto total em medicamentos (3,8 mil milhões de euros)», refere o estudo.

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Para chegar a estes números, os investigadores compararam o número efetivo de mortes por estas doenças e os anos de vida não saudável de cada doente.

«Para cada doença, a projeção teve por base uma análise da evolução da prevalência da doença e dos encargos impostos em média a cada paciente entre 1991 e 2016. Assim, em cada doença, procurámos entender que medicamentos inovadores foram introduzidos ou popularizados em cada ano e se isso refletiu-se no número de mortes», explicou a consultora à agência Lusa.

Por exemplo, no caso do VIH/sida, as terapias inovadoras transformaram «uma doença fatal numa doença crónica e controlável, salvando até 22.000 vidas, e no cancro colorretal evitaram até 28 mil mortes», sublinha o estudo.

Os medicamentos inovadores também permitiram aos doentes continuarem a ser produtivos. Estes geraram cerca de 280 milhões de euros anuais em rendimento adicional para as famílias (1.000 euros por mês por família afetada), e contribuíram para reduzir hospitalizações e outros custos diretos com saúde em cerca de 560 milhões de euros anuais.

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O estudo indica ainda que a indústria farmacêutica acrescentou mais de 1,5 mil milhões de euros ao PIB português em 2016, face a 2000.

A indústria farmacêutica é um motor de crescimento global do PIB, empregando cerca 10 mil pessoas diretamente e 40 mil direta e indiretamente.

Portugal tem acesso dificultado a medicamentos inovadores

Segundo a investigação, Portugal fica atrás da maioria dos países da União Europeia no acesso a medicamentos inovadores. O acesso dos doentes pode demorar até 38 meses.

A investigação aponta que “aumentar o valor aportado pelos medicamentos em Portugal” passaria por “inovar no atendimento ao doente”. Esta inovação traduz-se num reforço da prevenção e diagnóstico, integrando cuidados e alavancando tecnologia.

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