Mais de 30 idosos de Marco de Canaveses juntaram-se para uma partida de ‘paintball’

Mais de 30 idosos do Centro Social e Paroquial de São Romão da Carvalhosa, com idades entre os 74 e 88 anos, juntaram-se hoje para uma partida de ‘paintball’ e mostraram não haver idade para praticar atividades radicais.

Mais de 30 idosos de Marco de Canaveses juntaram-se para uma partida de 'paintball'

Mais de 30 idosos de Marco de Canaveses juntaram-se para uma partida de ‘paintball’

Mais de 30 idosos do Centro Social e Paroquial de São Romão da Carvalhosa, com idades entre os 74 e 88 anos, juntaram-se hoje para uma partida de ‘paintball’ e mostraram não haver idade para praticar atividades radicais.

O relógio marcava as 10:30 quando no campo de futebol da Associação Desportiva de Carvalhosa, no Marco de Canaveses, 35 idosos do Centro Social da Carvalhosa se preparavam para defrontar alguns dos colegas do centro de dia numa batalha de ‘paintball’.

Vestidos a rigor e prontamente artilhados, lá se dividiram em equipas de três e quatro elementos para, atentamente, ouvirem as muitas regras e avisos dos técnicos do ‘Paintball Amarante’ antes de entrarem em campo.

“Estão todos prontos? Vamos começar”, gritou o técnico e, se de imediato apenas se ouviu um pequeno silêncio, não tardou o momento em que as bolas de borracha se fizeram ouvir.

Fora do campo, os restantes idosos gritavam, batiam palmas e incentivavam os colegas a saírem detrás dos insufláveis. Todos arriscaram. Se alguns correram vagarosamente em direção aos adversários, outros chegaram mesmo a colocar-se de joelhos para os ‘abater’, ou seja, para os eliminar do jogo.

Nem a atividade, nem os adversários intimidaram Maria Teresa Magalhães, de 74 anos, que saiu da partida bastante “feliz” com o seu desempenho.

“Esta atividade foi espetacular. Eu vou a todas, não tenho medo e não achei nada perigoso. Acertei logo e, em mim, acertaram-me aqui. ‘Matei’ e ‘morri'”, disse, em tom de brincadeira.

Há oito anos que Maria Teresa Magalhães frequenta o Centro Social da Carvalhosa e, apesar de gostar e alinhar nas várias atividades organizadas pelo centro, em conversa com a Lusa confessou ter sonhado com este dia.

“Este dia foi muito giro. Eu até sonhei de noite porque estava morta que chegasse o dia”, salientou.

Também Maria Cândida Couto, de 80 anos, estava ansiosa por esta atividade, apesar do médico a ter proibido de plantar e fazer muitos esforços físicos.

“Disseram que eu não podia trabalhar e eu disse, então se eu não posso trabalhar, vou aproveitar a vida. Farto-me de pedir ao meu homem que me deixe andar aqui mais um tempinho”, referiu a idosa que frequenta o centro há pouco mais de três meses.

Em conversa com a Lusa, Maria Cândida Couto explicou que, apesar de durante o jogo ter tentado acertar nos seus adversários, o seu objetivo “não era ‘matar'” ninguém, caso contrário “ficava com remorsos para toda a vida”.

“Achei tudo muito bem. Gostei, a gente assim distrai-se”, disse Maria Cândida Couto, confessando, contudo, que esta terça-feira não se “livrou” de uma visita ao hospital por causa de problemas de bronquite.

“Amanhã se eu não estiver bem como é que hei de ir para o campo de futebol? Fomos ao hospital, fiz um raio x, tomei oxigénio, deram-me uns comprimidos e estava pronta para outra”, desabafou a idosa.

À Lusa, o diretor do Centro Social da Carvalhosa, José Carlos Coelho adiantou que estas atividades têm como objetivo “devolver a alegria e o bem-estar” aos idosos, e retirá-los do “isolamento, solidão e sedentarismo”.

“Queremos experimentar com os idosos e contrariar a ideia da sociedade que tende a privilegiar a gente mais jovem (…) Nós cá estamos na retaguarda para os apoiar e dar-lhes um tempo de vida, nesta última fase, o mais feliz possível”, concluiu.

O Centro Social da Carvalhosa, que está aberto desde 2011, tem ao abrigo dos seus cuidados 150 pessoas, com idades entre os 56 e 106 anos, da zona de Amarante, Penafiel e do Marco de Canaveses.

SPYC//LIL

By Impala News / Lusa

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