Mãe acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidos. “Matá-las nunca foi a minha intenção”

Uma mulher acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidas, em janeiro de 2020, disse esta terça-feira no Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, que os bebés morreram ao seu colo, mas negou ter tido intenção de os matar.

Mãe acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidos.

Mãe acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidos. “Matá-las nunca foi a minha intenção”

Uma mulher acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidas, em janeiro de 2020, disse esta terça-feira no Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, que os bebés morreram ao seu colo, mas negou ter tido intenção de os matar.

Uma mulher acusada do homicídio de duas filhas recém-nascidas, em janeiro de 2020, disse esta terça-feira no Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, que os bebés morreram ao seu colo, mas negou ter tido intenção de os matar.

“Matá-las nunca foi a minha intenção. Nunca julguei ser capaz de uma coisa dessas”, disse a arguida, que está acusada de dois crimes de homicídio qualificado e outros dois de profanação de cadáver.

A mulher, que admitiu ter escondido a gravidez do companheiro, de quem tem dois filhos menores, e da restante família, disse que entrou em trabalho de parto na casa de banho da sua habitação, em Espinho. Após ter dado à luz as duas crianças, a arguida disse que ficou sentada na sanita com as bebés ao colo, até deixarem de chorar.

“Fui à dispensa buscar sacos e mais toalhas. Nessa altura, elas não choravam. Penso que já estavam mortas”, disse a arguida, adiantando que meteu os fetos dentro de um saco.

Ex-companheiro e pais da arguida não quiseram falar

Após o sucedido, a mulher foi trabalhar, deixando o saco com os fetos na mala do carro que utilizava habitualmente e, quando regressou a casa, começou a sentir dores e febre e pediu ajuda a uma colega, que a levou ao Hospital de Gaia. Mais tarde, o pai da arguida foi limpar o carro e acabou por descobrir o saco contendo os fetos, tendo chamado a PSP. O ex-companheiro e os pais da arguida não quiseram prestar declarações.

Nas alegações finais, o advogado de defesa da arguida pediu a condenação pelo crime de infanticídio e não de homicídio, enquanto a Procuradora do Ministério Público (MP) disse que a arguida deve ser condenada pelos crimes que lhe foram imputados.

De acordo com a acusação do MP, a mulher deu à luz duas crianças com vida, entre as 35 e as 36 semanas da gestação, às quais “não prestou, ou solicitou que fossem prestados, quaisquer cuidados imediatamente após o nascimento”.Ao invés, segundo o MP, “na execução do que já antes tinha planeado, não estimulou o choro, não tentou desimpedir-lhes as vias aéreas, antes as embrulhou e impediu de respirar, acabando por causar as suas mortes”.

A arguida terá depois colocado as duas crianças num saco, no interior da mala do automóvel que utilizava habitualmente, com o propósito de posteriormente as levar para outro local e se desfazer dos seus corpos, o que não veio a acontecer em virtude de terem sido encontradas por um terceiro que alertou as autoridades.

A 20 de janeiro de 2020, a PSP encontrou dois fetos sem vida, do sexo feminino, dentro de um carro numa rua de Espinho, no distrito de Aveiro. Na altura, a Polícia identificou uma mulher de 25 anos, presumível gestante, que se encontrava internada em unidade hospitalar, tendo dado conhecimento deste caso ao Ministério Público e à Polícia Judiciária.

 

 

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