Caso Maddie. Gonçalo Amaral diz que suspeito é «quase igual» ao pai da menina

Polícia Judiciária continua a investigar o caso

Caso Maddie. Gonçalo Amaral diz que suspeito é «quase igual» ao pai da menina

Polícia Judiciária continua a investigar o caso

O ex-inspetor da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, garante ao canal espanhol Cuatro que o suspeito de ter raptado Maddie é «parecido, quase igual» a Gerry McCann, o pai da menina inglesa.

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Gonçalo Amaral fala sobre suspeito

«Neste momento fala-se de um pedófilo alemão que está condenado a prisão perpétua e que terá assassinado crianças. Aquilo que eu sei é que não é esse», afirmou. O ex-inspetor não revela, porém, de onde obteve esta informação. Apenas afirma que se trata de um cidadão alemão que está detido por crimes de abuso de menores, contrariamente ao que tem sido noticiado pela imprensa inglesa. «Há uma conversa entre essa pessoa e outra pessoa onde falavam de Madeleine.»

Caso ainda não está encerrado

Uma fonte da Polícia Judiciária confirmou ao Expresso que o caso não está encerrado e ainda se encontram em curso diligências. Em maio, esta força de segurança recebeu uma denúncia da Scotland Yard sobre um turista que se encontrava em Portugal na altura do desaparecimento de Maddie.

Sandra Felgueiras: «O Gonçalo Amaral mentiu-me»

A série documental O Desaparecimento de Madeleine McCann, lançada pela Netflix, que conta com informações e depoimentos recolhidos em Portugal, tem a participação de Sandra Felgueiras. A relação da jornalista da RTP com o caso de Maddie prende-se desde o primeiro dia. Sandra Felgueiras acompanhou esta história, esteve no Algarve durante três meses, fez longas horas de direto e inúmeras entrevistas «polémicas, à época», ao casal McCann, tanto na Praia da Luz como em Inglaterra.

Três meses depois do desaparecimento de Maddie, chegam a Portugal dois cães que farejavam sangue e cadáver. A Polícia iniciou uma operação com os animais no apartamento de onde a menina terá desaparecido e no carro alugado pela família McCann. Os cães deram, em simultâneo, sinal no quarto dos pais da criança e na bagageira da viatura. Perante esta evidência, Gonçalo Amaral, primeiro coordenador operacional da investigação, assume esta sinalização dada pelos cães como uma pista «inequívoca». Maddie tinha morrido atrás do sofá por acidente e os pais tinham-na transportado na bagageira do monovolume Renault Scenic.

Para que esta operação realizada com o auxílio dos cães seja válida é necessário ser sustentada por análise científica. A tese de Gonçalo Amaral carece de confirmação pelas análises pendentes no laboratório de Birmingham. Quando os resultados preliminares chegam, o inspetor informa Sandra Felgueiras de que «havia correspondência ao ADN de Maddie». «Em 20 alelos possíveis, cinco tinham sido detetados no apartamento e 17 na bagageira do carro». A jornalista confirmou, com médicos legistas, se perante este resultado a probabilidade de corresponder a Maddie era viável. «Todos responderam que sim, que a probabilidade era alta.»

Sandra Felgueiras avança. «Com base nesta informação, que o Gonçalo Amaral me deu, e sabe que deu, eu confiei», afirma, e deu a notícia

Jornalista depara-se com informação relevante, um ano depois

Em julho de 2008, contudo, a jornalista tem acesso ao processo que, até então, era segredo de Justiça. «Quando vou ver o resultado preliminar, de que Gonçalo Amaral me falou, e que o levou a constituir os McCann como arguidos, vejo que o último parágrafo dizia que, apesar de existirem 17 alelos em 20, a amostra era tão insignificante e pequena que havia várias pessoas no laboratório com a mesma identificação genética. Pelo que esta evidência não poderia ser considerada relevante», explica. Sandra Felgueiras sente-se «profundamente enganada». Este parágrafo era determinante para abalar tudo o que se tinha feito antes. «Em momento algum Gonçalo Amaral me disse que a amostra era tão pequena e criminalmente irrelevante», frisa.

Texto: Jéssica dos Santos

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