Linha para vítimas de violência doméstica recebe mais de 59 mil chamadas

Linha para vítimas de violência doméstica recebe mais de 59 mil chamadas

Só este ano, a linha telefónica de apoio a vítimas de violência doméstica recebeu mais de 59 mil chamadas em 20 anos de existência.

A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) revela que recebeu 63 chamadas de vítimas de violência doméstica, até ao dia 05 de novembro.  Isto significa que todos os dias alguém ligou para o 800 202 148.

Em 2017, a linha recebeu 490 telefonemas, 103 deles relativos a situações de violência doméstica.

Ao longo dos 20 anos de funcionamento, foram feitas 59.164 chamadas, 32.822 sobre violência doméstica, o que significa que, em média, por ano, houve 2.958 contactos.

À agência Lusa, a presidente da CIG faz um balanço positivo das duas décadas de funcionamento deste serviço, revelando que pouco tempo após o início de atividade percebeu-se que «a garantia de anonimato e confidencialidade possibilitadas pela linha telefónica funcionava com um facilitador do processo de comunicação e um ‘redutor’ de tensão».

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«O facto de não haver ‘rostos’, pode incentivar a falar pela primeira vez da situação de maus-tratos vivenciada e para um pedido de ajuda. A garantia de confidencialidade ajuda à criação de um clima de confiança e segurança que permite aos/às utentes sentirem-se seguros para falar mais abertamente sobre o motivo do seu telefonema», apontou Teresa Fragoso.

A presidente da CIG acrescentou que em situações excecionais, e com o consentimento de quem telefona, a confidencialidade pode ser quebrada.

O contacto é muitas vezes feito por familiares vizinhos, amigos, forças de segurança ou técnicos de serviços.

“Este serviço tem um carácter, essencialmente, informativo e de encaminhamento, não estando contemplado o atendimento face a face, nem a possibilidade dos/as técnicos/as se deslocarem ao local onde se encontra(m) a(s) vítima(s)”, explicou Teresa Fragoso.

No que diz respeito aos motivos pelos quais as pessoas ligam, a presidente da CIG adiantou que são diversos. Tanto pode passar por explicar a “importância da ida ao hospital, de apresentar queixa, como obter apoio judiciário, o esclarecimento de conceitos como abandono de lar, casa de morada de família ou regulação das responsabilidades parentais”.

“É também um imperativo no SIVVD proceder a uma primeira avaliação do risco envolvido no quadro que é descrito e posterior ajuda na elaboração de estratégias de segurança pessoal”, acrescentou a presidente da CIG.

Teresa Fragoso adiantou que o encaminhamento dado a cada chamada depende da situação apresentada e da avaliação de necessidades feita pelo profissional que atende a chamada. A vítima pode ser encaminhada para o apoio presencial numa instituição da Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica, por exemplo, possibilitando a continuidade de um processo de apoio.

Linha de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica

A linha telefónica, gratuita, começou por se chamar Serviço de Informação às Mulheres Vítimas de Violência. Foi o primeiro número de âmbito nacional e gratuito criado com o intuito de prestar informação e apoio às vítimas de violência.

Começou a funcionar em 12 de novembro de 1998, nos dias úteis, entre as 09:00 e as 17:30. Em maio de 2000, aumentou o seu período de funcionamento, quando passou a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana.

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 Texto: Redação WIN com Lusa - Conteúdos Digitais

 

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