Lava Jato investiga fraude em operações de câmbio da Petrobras

A Polícia Federal brasileira realiza hoje uma nova fase da Lava Jato para apurar alegadas fraudes em operações de câmbio contratadas pela estatal petrolífera Petrobras com um banco de São Paulo entre os anos de 2008 e 2011.

Lava Jato investiga fraude em operações de câmbio da Petrobras

Lava Jato investiga fraude em operações de câmbio da Petrobras

A Polícia Federal brasileira realiza hoje uma nova fase da Lava Jato para apurar alegadas fraudes em operações de câmbio contratadas pela estatal petrolífera Petrobras com um banco de São Paulo entre os anos de 2008 e 2011.

Cerca de 110 agentes cumprem 25 mandados de busca e apreensão em residências nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo em busca de provas para o avanço das investigações, segundo um comunicado emitido pela Polícia Federal.

A operação também cumpre o bloqueio dos ativos financeiros dos investigados em contas no Brasil e no exterior até ao limite de 97,6 milhões de reais (15,5 milhões de euros).

Os mandados de busca e apreensão visam três executivos do Banco Paulista, em São Paulo, e outras cinco pessoas ligadas às empresas supostamente utilizadas no mesmo esquema no Rio de Janeiro.

Foram alvo de medidas cautelares três funcionários que trabalharam na gerência de câmbio da Petrobras à época em que ocorreu o alegado esquema criminoso ocorreu e quatro familiares destas pessoas que são suspeitas de participação na dissimulação e na ocultação do dinheiro arrecadado com subornos.

O Ministério Público Federal (MPF) brasileiro explicou, também num comunicado, que as buscas visam aprofundar as investigações relacionadas com o envolvimento de funcionários da Diretoria Financeira da Petrobras numa rede criminosa liderada por altos executivos do Banco Paulista.

“As investigações revelaram que, entre agosto de 2008 e março de 2011, o Banco Paulista intermediou o equivalente a 7,7 mil milhões de reais [1,2 mil milhões de euros] em operações de compra e venda de dólares com a Petrobras, volume transacionado por apenas três funcionários da gerência de câmbio”, disseram os promotores do MPF no comunicado.

“Foram encontradas diversas provas de direcionamento indevido de contratos e de majoração artificial das taxas de câmbio, que apontam para prejuízo para os cofres da Petrobras estimado preliminarmente em 18 milhões de dólares [15,1 milhões de euros]”, acrescentaram.

Os procuradores também investigam a possível prática de crimes de branqueamento de capitais por parte de empresas inscritas em paraísos fiscais, compra excessiva de bens imóveis e empresas ou através de contratos fictícios de prestação de serviços celebrados entre o banco e empresas dos suspeitos neste caso.

A operação Lava Jato, iniciada em 2014, desvendou um vasto esquema de corrupção envolvendo a petrolífera Petrobras e outros órgãos públicos brasileiros, que levou à prisão de empresários, ex-funcionários públicos e políticos.

As investigações não se limitaram ao Brasil e espalharam-se por uma dezena de outros países da América Latina e de África, cujas autoridades ainda investigam o pagamento de suborno.

Os promotores da Lava Jato, cujo centro de operações fica na cidade brasileira de Curitiba, no sul do país, vivem o seu momento mais difícil, cercados de críticas internas e externas pela suposta falta de transparência e parcialidade nas investigações.

CYR // VM

By Impala News / Lusa

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