Julgamento de manifestantes em Luanda termina com 71 condenados por desobediência

O julgamento da centena de manifestantes detidos no passado dia 24 de outubro em Luanda terminou hoje, com 71 réus condenados pelo crime de desobediência, mas todos serão libertados.

Julgamento de manifestantes em Luanda termina com 71 condenados por desobediência

Julgamento de manifestantes em Luanda termina com 71 condenados por desobediência

O julgamento da centena de manifestantes detidos no passado dia 24 de outubro em Luanda terminou hoje, com 71 réus condenados pelo crime de desobediência, mas todos serão libertados.

Luanda, 01 nov 2020 (Lusa) — O julgamento da centena de manifestantes detidos no passado dia 24 de outubro em Luanda terminou hoje, com 71 réus condenados pelo crime de desobediência, mas todos serão libertados, disse à Lusa um advogado da defesa.

Em declarações à Lusa, Zola Bambi, indicou que 26 réus foram absolvidos de todos os crimes e outros 71 condenados por desobediência a uma pena de um mês de prisão convertida em multa de 20 kwanzas (0,0257 euros) por dia.

Todos serão libertados estando a aguardar a assinatura dos mandados de soltura, acrescentou.

O julgamento dos 103 manifestantes teve início na passada segunda-feira e levou até ao tribunal, o palácio D. Ana Joaquina, na baixa de Luanda, centenas de apoiantes que exigiam a libertação dos seus companheiros.

Em 24 de outubro foram também detidos vários jornalistas, entretanto libertados, sem acusação.

O tribunal foi palco de protestos e confrontos com a polícia que, na quarta-feira passada, proibiu a presença de manifestantes nas proximidades do local após desacatos e alguns atos de vandalismo.

Os manifestantes são acusados de desobediência ao decreto presidencial 276/20, que estabeleceu medidas mais restritivas no âmbito da prevenção da covid-19, quatro crimes de ofensas corporais voluntárias e dois crimes de danos voluntários sobre bens da Polícia Nacional.

O Presidente João Lourenço falou, na quinta-feira, pela primeira vez sobre os acontecimentos, enquanto líder do MPLA, negando a violação de direitos em Angola e dizendo que o direito à manifestação está apenas “condicionado” temporariamente por causa da pandemia.

O chefe de Estado atacou também a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), principal força da oposição, que também aderiu à marcha convocada por movimentos cívicos, considerando que o partido devia assumir “todas as consequências dos seus atos de irresponsabilidade” no possível aumento de casos de covid-19, devido ao envolvimento direto nos protestos.

O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, respondeu na sexta-feira às críticas, afirmando que João Lourenço “tem medo do povo, que vai demonstrando saber ler e posicionar-se em defesa do seu interesse”.

 

RCR // LFS

By Impala News / Lusa

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