IURD reconhecida pelo Estado angolano pede suspensão de programas para acabar com ilegalidade

A direção da IURD Angola reconhecida pelo Estado angolano afirmou hoje ter pedido a suspensão do canal FéTv para “pôr cobro à ilegalidade”, pois os programas estavam a ser emitidos em nome desta associação religiosa sem autorização do representante legal.

IURD reconhecida pelo Estado angolano pede suspensão de programas para acabar com ilegalidade

IURD reconhecida pelo Estado angolano pede suspensão de programas para acabar com ilegalidade

A direção da IURD Angola reconhecida pelo Estado angolano afirmou hoje ter pedido a suspensão do canal FéTv para “pôr cobro à ilegalidade”, pois os programas estavam a ser emitidos em nome desta associação religiosa sem autorização do representante legal.

A IURD em Angola está atualmente dividida em duas alas: a de origem brasileira, liderada agora pelos angolanos Alberto Segunda (líder espiritual) e António Ferraz (presidente da direção), e os reformistas dirigidos por Bizerra Luís e reconhecidos pelo Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, reclamando ambas ser as legítimas representantes da igreja fundada por Edir Macedo.

A IURD Angola (ala brasileira) queixou-se hoje de ter visto suspensos, sem notificação prévia, os programas de evangelização que eram transmitidos em duas plataformas de televisão por cabo, a Multichoice (DSTv) e TV Cabo, por ordem do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (Minttics).

Numa nota de esclarecimento, a direção da IURD Angola (ala legitimada) diz ter desenvolvido ações junto das instituições competentes do Estado para a suspensão dos programas de rádio e televisão “pois, estavam a ser produzidos conteúdos religiosos por um grupo de pessoas sem a devida autorização” do bispo Valente Bizerra Luís, atual representante legal da associação religiosa.

Declara, ainda, que antes de recorrer a estas instituições envidou esforços para “colmatar tal situação junto dos órgãos de comunicação social e plataformas digitais, infelizmente, sem sucesso”.

No mesmo comunicado, apelam aos membros da IURD para “não se deixarem manipular por grupo de indivíduos comandados pelos senhores António Ferraz e Alberto Segunda, que tem agido em falsa qualidade para ludibriar a sociedade e as instituições, colocando em causa a idoneidade dos órgãos competentes do Estado, incitando ódio e violência”, prometendo igualmente retomar os programas religiosos.

A IURD de origem brasileira, por seu lado, fala de uma “rebelião sem precedentes” que se instalou em 2019, e levou à separação em duas alas, sendo este “mais um golpe desumano e brutal contra as centenas de missionários, milhares de obreiros, jovens e simpatizantes da igreja por toda a Angola”.

Promete, também, continuar em busca da restituição da legalidade, sem detalhar quais as ações subsequentes.

Em declarações à Lusa, o porta-voz desta ala, pastor Olívio Alberto fala de “perseguição religiosa”, já que os representantes da IURD foram absolvidos de vários crimes de que eram acusados e questiona: “onde está o documento legal que atesta o sr. Valente Bizerra como líder da Igreja Universal?”.

Em abril do ano passado, o Minttics suspendeu as licenças de três canais de televisão, entre as quais a Record TV Africa, ligada à igreja fundada pelo brasileiro Edir Macedo, alegando inconformidades legais, entre as quais o facto de o diretor executivo da empresa não ser angolano e ter jornalistas estrangeiros não credenciados no país.

A Record TV tinha exibido diversas reportagens desfavoráveis ao Governo de Angola, afirmando que os brasileiros eram vítimas de xenofobia no país.

A IURD (ala brasileira) alega ser reconhecida em Angola desde 1992 e ter o bispo António Miguel Ferraz como seu legítimo representante, eleito em assembleia geral.

No entanto, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR) não reconhece esta ala, tendo antes legitimado a liderança do bispo Valente Bizerra Luís, que coordenava a comissão de reforma que entrou em conflito com a direção brasileira da IURD em 2019, com troca de acusações mútuas relativas à prática de atos ilícitos.

Os angolanos, liderados pelo bispo Valente Bezerra, afirmavam que a decisão de romper com a representação brasileira em Angola encabeçada pelo bispo Honorilton Gonçalves, fiel ao fundador Edir Macedo, se deveu a práticas contrárias à religião, como a exigência da prática da vasectomia, castração química, práticas de racismo, discriminação social, abuso de autoridade, além da evasão de divisas para o exterior do país.

As alegações sempre foram negadas pela IURD Angola que acusou os reformistas de “ataques xenófobos” e agressões a pastores e intentou também processos judiciais contra os dissidentes.

Em 27 de maio, o INAR emitiu uma “declaração de idoneidade da confissão religiosa”, com validade de um ano, declarando ser Valente Bizerra Luís o representante legal da IURD.

Em tribunal, correm ainda processos relacionados com a propriedade dos templos, que estiveram apreendidos por ordem da Procuradoria-Geral da República (PGR) e reabriram recentemente.

 

RCR // MAD

By Impala News / Lusa

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