Islandês recebe primeiro duplo transplante de braço e ombro

O primeiro duplo transplante de braço e ombro foi realizado com sucesso, num processo que evolveu quatro equipas cirúrgicas.

Islandês recebe primeiro duplo transplante de braço e ombro

O primeiro duplo transplante de braço e ombro foi realizado com sucesso, num processo que evolveu quatro equipas cirúrgicas.

Felix Gretarsson já tem o seu nome na história da medicina. O islandês de 48 anos foi o primeiro paciente na história a receber um duplo transplante de braço e ombro.

A cirurgia foi concluída com sucesso e o homem encontra-se estável, enquanto recupera da complexa e demorada intervenção que envolveu um total de quatro equipas cirúrgicas. A boa notícia foi divulgada pelos médicos responsáveis na passada sexta-feira, 22 de janeiro, em Lyon, França. Em conferência de imprensa, explicam que a operação foi feita no início do ano e assumem que, por enquanto, qualquer prognóstico sobre a percentagem de mobilidade que Felix vai recuperar seria pura especulação.

“Dar algo a alguém que perdeu tanto, já é bastante. Se ele conseguir dobrar o cotovelo, isso vai mudar a vida dele”, explicou Aram Gazarian, um dos cirurgiões.

Para que tudo isto fosse possível, foram vários anos e muitas dezenas de médicos – mais de cinquenta – que estiveram envolvidos neste processo. Finalmente foram encontrados doadores compatíveis que possibilitaram o transplante.

Os especialistas adiantaram ainda que a perspetiva para o braço direito é mais favorável do que para o lado esquerdo, uma vez que este último exigiu a reconstrução completa do ombro.

“Com este nível de amputação, não podemos prometer nada”, afirmou Lionel Badet, cirurgião responsável pelo protocolo médico delineado especificamente para esta operação. “Gretarsson tem anos de reeducação pela frente, mas vamos apoiá-lo sempre“, acrescentou.

Trágico acidente em 1998 destruiu-lhe a vida

Foi há precisamente 23 anos que Felix Gretarsson, ex-electricista, perdeu os dois braços à conta de um acidente com uma linha de alta tensão, tendo sido queimado a 11 mil volts. Sofreu múltiplas fraturas e esteve em coma induzido durante três meses. Os médicos tiveram de lhe amputar os braços.

 “Perdi tudo. A minha noiva foi embora com as nossas duas filhas, perdi a capacidade de cuidar de mim mesmo. Perdi a minha identidade”, relata.

“Mergulhei nas drogas e na depressão. Nos quatro anos seguintes, a minha vida só piorou ainda mais. Mas, felizmente, chegou o dia de despertar. Percebi que era muito mais forte do que pensava e que o mundo está cheio de pessoas boas que nos ajudam a superar os nossos obstáculos, acrescenta.

Atualmente, Felix patilha o seu dia a dia nas redes sociais com milhares de seguidores. É também presença assídua em palestras motivacionais nas quais relata a sua história, sendo sempre acompanhado pela esposa, Sylwia Gretarsson.

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