Human Rights Watch denuncia perseguição e humilhação de migrantes em Calais

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje que os migrantes instalados em acampamentos na região de Calais são submetidos a “perseguições e humilhações” por parte das autoridades francesas, para os dissuadir de permanecer na zona.

Human Rights Watch denuncia perseguição e humilhação de migrantes em Calais

Human Rights Watch denuncia perseguição e humilhação de migrantes em Calais

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) denunciou hoje que os migrantes instalados em acampamentos na região de Calais são submetidos a “perseguições e humilhações” por parte das autoridades francesas, para os dissuadir de permanecer na zona.

Num relatório elaborado cinco anos após o desmantelamento do grande campo de imigrantes de Calais, em França, conhecido como “A Selva”, a organização aponta práticas policiais “abusivas”, expulsões em massa e restrições à ajuda humanitária.

“Nada pode justificar sujeitar as pessoas à humilhação e assédio diários”, disse a diretora da HRW França, Bénédicte Jeannerod, que considera esta política para desencorajar os imigrantes de se estabelecerem na área “um flagrante fracasso”.

Segundo a organização, após o desmantelamento do grande campo de Calais, cerca de 2.000 pessoas, dos quais cerca de 300 menores, permanecem na região, em zonas arborizadas, parques ou debaixo de pontes rodoviárias.

A ação policial “não deteve nem reduziu as travessias irregulares do Canal da Mancha, que bateu recordes em julho”, diz a entidade, que, por outro lado, considera que “têm havido um crescente abandono de imigrantes”.

Regularmente, no caso de Calais, os oficiais forçam a desocupação dos acampamentos e as tendas ou barracos construídos, assim como os sacos-cama, são confiscados ou inutilizados, sem proporcionar a estas pessoas uma solução alternativa de habitação, conforme exigido por lei.

Segundo disse, as autoridades locais dificultam a distribuição de ajuda humanitária e não prestam serviços básicos a estes imigrantes, uma situação particularmente grave no caso de menores desacompanhados.

A polícia também atrapalha o trabalho das organizações não-governamentais que atuam naquela zona, alegando que geram um efeito de arrastamento que a HRW nega: “O único atrativo deste local é a proximidade com o Reino Unido, que fica a apenas 30 quilómetros”.

O Brexit bloqueou as poucas opções de entrada regular no Reino Unido, como o reagrupamento familiar de menores, o que os leva a buscar caminhos alternativos, explica a organização.

“As autoridades francesas de proteção da criança deveriam fazer mais para informar os menores não acompanhados sobre as opções que têm, nomeadamente para se integrarem no sistema de proteção da infância, permitindo-lhes ter acesso ao estatuto legal de adultos”, acrescenta.

A HRW também acredita que a União Europeia deve “criar um sistema de partilha de responsabilidades entre os seus membros que evite a pressão excessiva nos primeiros países a que chegam e nos destinos mais procurados”.

Quanto a Londres, a ONG clama por “meios legais e seguros” para que os imigrantes possam entrar no seu território a fim de solicitar asilo ou de poder reunir-se com as suas famílias, trabalhar ou estudar.

SO // SBH

By Impala News / Lusa

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