Homem que ajudou mulher a morrer pode ser julgado por violência contra mulheres

Homem que ajudou mulher a morrer pode ser julgado por violência contra mulheres

Ángel Hernández, de 70 anos, ajudou a mulher, que sofria de esclerose múltipla em fase terminal, a morrer. O homem acedeu ao pedido e agora pode ser julgado pelo crime de violência contra mulheres.

O nome de Ángel Hernández tornou-se conhecido nas últimas semanas depois de ter ajudado a mulher a morrer. O homem publicou um vídeo em que a doente revela o desejo de morrer. Com esclerose múltipla há 30 anos, e já em fase terminal, María José Carrasco, de 61 anos, não aguentou a espera pela aprovação da eutanásia em Espanha e pediu ajuda ao marido, de 70 anos, para morrer.

O companheiro da vítima acedeu ao pedido e administrou-lhe uma dose letal de pentobarbital sódico, no passado dia 3. Agora, Ángel Hernández, que foi inicialmente indiciado por homicídio, pode ser julgado pelo crime de violência contra mulheres, segundo avança o jornal espanhol ABC.

A mesma publicação revela que a justiça espanhola entende que está perante um caso de violência de «um homem contra uma mulher», sem ter em conta os contornos da situação.

María José Carrasco já tinha tentado suicídio

Aos 32 anos foi-lhe diagnosticada uma esclerose múltipla irreversível que atirou María José Carrasco para uma cama praticamente paralisada, quase sem visão, dependendo da ajuda do marido até para comer. Segundo o El País, a mulher já tinha tentado o suicídio há alguns, mas o marido terá impedido-a.

Anos mais tarde, o casal chegou a um acordo e o homem decidiu ajudar a esposa a acabar com o sofrimento. O homem terá ainda contactado os serviços de saúde a informar da morte da mulher e telefonou também para um jornalista, da estação Cuatro, que acompanhava o caso nos últimos tempos. A polícia acabou por deter o marido da vítima e o repórter.

O Ministério Público espanhol vai recorrer da decisão juiz, uma vez que consideram que este caso «está completamente afastado da violência de género», afirma ao El País, Pilar Martín-Nájera, que coordena o Gabinete do Procurador para Violência Contra as Mulheres.

A advogada do arguido vai também recorrer e afirma que «não se pode considerar o que Ángel fez como um ato contra sua esposa em qualquer caso. Foi muito pelo contrário: ele seguiu o desejo da mulher».

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