Grécia vai pedir apoio à NATO na sua disputa com a Turquia

O primeiro-ministro grego disse hoje que vai solicitar a outros membros da NATO que apoiem a Grécia a enfrentar a Turquia nas tentativas interferir na soberania do país.

Grécia vai pedir apoio à NATO na sua disputa com a Turquia

Grécia vai pedir apoio à NATO na sua disputa com a Turquia

O primeiro-ministro grego disse hoje que vai solicitar a outros membros da NATO que apoiem a Grécia a enfrentar a Turquia nas tentativas interferir na soberania do país.

Atenas, 01 dez 2019 (Lusa) — O primeiro-ministro grego disse hoje que vai solicitar a outros membros da NATO, durante a cimeira de Londres, que apoiem a Grécia a enfrentar a Turquia, que também integra a organização aliada, nas tentativas interferir na soberania do país.

Numa intervenção no último dia do Congresso da Nova Democracia (ND, direita e no poder), Kyriakos Mitsotakis considerou que a NATO não pode permanecer indiferente quando um dos seus membros “viola deliberadamente a lei internacional” e que uma abordagem neutral será sempre em detrimento da Grécia, que nunca pretendeu acentuar as tensões na região.

O assunto será colocado na cimeira dos 29 Estados-membros da Aliança militar ocidental, que decorre em Londres entre terça-feira e quarta-feira.

O primeiro-ministro grego referia-se em particular ao acordo da semana passada entre a Turquia e a Líbia destinado a delimitar as fronteiras marítimas no Mediterrâneo.

Chipre, Egito e Grécia condenaram em conjunto o acordo turco-líbio, que, na sua perspetiva, contraria a lei internacional. O assunto foi discutido hoje no Cairo entre os chefes da diplomacia egípcia, Sameh Shoukry, e o seu homólogo grego Nikos Dendias.

O porta-voz Ahmed Hafez referiu em declaração divulgada após o encontro que os dois ministros consideram “ilegal” o acordo Turquia-Líbia e que o primeiro-ministro líbio Fayez Sarraj não tem o direito de assinar memorandos com outros países à margem do acordo patrocinado pela ONU e que estabeleceu o seu governo em Tripoli.

“Concordamos que Sarraj não tem muito provavelmente o mandato para assinar [dois acordos com a Turquia] e que funcionam como um fator de desestabilização na região”, considerou Dendias após a reunião. “Também concordamos [com Shoukry] em acelerar as conversações entre equipas de peritos para definir e delinear zonas económicas exclusivas entre a Grécia e o Egito”, acrescentou.

Enquanto a Grécia e o Egito possuem fronteiras marítimas entre si, como sucede entre a Grécia e a Turquia, a Líbia encontra-se geograficamente afastada da Turquia e as águas entre os dois países são na maioria ocupadas pelas que fluem entre a Grécia e o Egito.

O acordo Turquia-Líbia contribuiu para aumentar a tensão na região e quando persiste a disputa entre Ancara e os seus vizinhos Grécia, Chipre e Egito em torno dos direitos de prospeção de petróleo e gás no Mediterrâneo oriental.

A Turquia não reconhece Chipre enquanto Estado, mas legitimou a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte (RTCN) — o único país que tomou essa decisão –, e promove prospeções exploratórias de gás em águas onde a República de Chipre, a parte da ilha reconhecida internacionalmente, possui direitos económicos exclusivos.

Ancara argumenta que está a defender os seus direitos e dos cipriotas turcos no acesso às reservas regionais de energia.

A Nova Democracia (ND), o partido da direita grega, promoveu entre sexta-feira e hoje o seu XIII congresso que pretende ser um “ponto de referência” para uma identidade adaptada aos novos tempos, após o seu convincente regresso ao poder.

O conclave dos conservadores gregos decorreu em ambiente de confiança reforçada na sequência das legislativas de 07 de julho, que lhes garantiram maioria absoluta, após quatro anos de oposição na sequência da vitória do partido de esquerda Syriza em janeiro de 2015, em plena “crise da dívida” e de severa austeridade gerida por governos muito impopulares apoiados pela ND.

Sob o lema “O futuro começa agora”, os debates foram centrados em dois vetores fundamentais: “Com autoconfiança nacional vencemos as batalhas contra o populismo” e “Política para os cidadãos: respondemos aos desafios do mundo atual que afetam as nossas vidas”.

O primeiro painel contou com a participação do eurodeputado do PSD Paulo Rangel, recentemente eleito um dos vice-presidentes do Partido Popular Europeu, o agrupamento da direita conservadora no Parlamento Europeu.

PCR // MLS

By Impala News / Lusa

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