Freira de Famalicão nega escravizar noviças: “Elas não gostavam de trabalhar”

Freira de Famalicão julgada por escravidão nega no Tribunal de Guimarães que tenha infligido maus-tratos, castigos físicos, injúrias e longas jornadas de trabalho às noviças.

Freira de Famalicão nega escravizar noviças:

Freira de Famalicão nega escravizar noviças: “Elas não gostavam de trabalhar”

Freira de Famalicão julgada por escravidão nega no Tribunal de Guimarães que tenha infligido maus-tratos, castigos físicos, injúrias e longas jornadas de trabalho às noviças.

Maria Arminda Costa não foi a única Freira de Famalicão a sentar-se no banco dos réus. As religiosas do convento de Requião – não reconhecido oficialmente pela Igreja – começaram ontem a ser julgadas por escravidão, mas negaram maus-tratos, castigos físicos, injúrias e longas jornadas de trabalho às noviças. Maria Arminda admitiu porém aos juízes do Tribunal de Guimarães “umas chapadas e mais nada” e a existência de um chicote para autoflagelação que era usado pelas alegadas pelas vítimas “porque queriam”.

Freira de Famalicão acusada de nove crimes

A principal arguida está acusada de nove crimes de escravidão. Afirma ter sido “posta fora” pelas outras irmãs e pela diocese de Braga e ainda pela Fraternidade Cristo Jovem, instituição que sustenta o convento. A expulsão deu-se assim que as suspeitas de maus-tratos e de escravidão vieram a público, em novembro de 2015, depois de investigação da Polícia Judiciária do Porto. Acusados dos mesmo crimes estão ainda o padre Joaquim Milheiro e as irmãs Arminda, Isabel Silva e Joaquina Carvalho. O sacerdote Abel Faria também é arguido por ser o representante da Diocese no Centro Social de Apoio e Orientação da Juventude, entidade que integra o convento.

Acusação “forjada” pelas noviças

Maria Arminda negou maus-tratos, castigos corporais e insultos com expressões lacónicas como “não aceito”, “não conheço”, “não vi” e “louvado seja Deus” e afirmou mesmo que a acusação foi “forjada” pelas noviças. Garantiu ainda que “amava” as jovens e que continua a amá-las, recusando a acusação de que as obrigava a longas jornadas de 20 horas de trabalho. Admitiu que trabalhavam, mas que as mais velhas davam o exemplo – “iam sempre à frente”. “Se eu me sentasse um bocadinho, esse tipo de gente deitava-se. Elas não gostavam nada de trabalhar”, criticou, sugerindo preguiça.

“É mentira” que as noviças passassem fome

A Freira de Famalicão aceita a acusação de que chamava “porcas” às jovens religiosas e justificou-o. “Punham as cuecas e nas meias sujas” nas gavetas da roupa lavada. Rejeita contudo que recrutassem jovens fragilizadas e contrapôs. “Elas é que nos procuravam.” No convento, descreveu, fazia-se apenas “a leitura da Bíblia e de fundadores de ordens religiosas com esses testemunhos”. Desmentiu também castigos físicos e privação de alimentação. Numa ocasião classificou esta acusação de “mentira” e noutra disse não lembrar-se. “Não me lembro disso. Tínhamos pessoas que nos ajudavam com comida. Por isso não se passava fome, nem havia necessidade, o que até se via pelo peso delas.”

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