Famílias moçambicanas arriscam cultivar zonas de cheias para sobreviver – autoridades

Muitas famílias moçambicanas arriscam cultivar em zonas de cheias, junto aos principais rios, por uma questão de sobrevivência, explicaram à Lusa as autoridades que iniciaram novas ações de sensibilização para saída de locais de risco devido à nova época chuvosa.

Famílias moçambicanas arriscam cultivar zonas de cheias para sobreviver - autoridades

Famílias moçambicanas arriscam cultivar zonas de cheias para sobreviver – autoridades

Muitas famílias moçambicanas arriscam cultivar em zonas de cheias, junto aos principais rios, por uma questão de sobrevivência, explicaram à Lusa as autoridades que iniciaram novas ações de sensibilização para saída de locais de risco devido à nova época chuvosa.

A situação afeta sobretudo o centro e norte do país e as famílias que até acatam as recomendações, geralmente retornam às zonas de cheias para praticar a agricultura de subsistência – atividade da maioria da população do país.

Tem sido sempre assim, mesmo depois dos ciclones (Idai e Kenneth) que mataram quase 700 pessoas em 2019, disse hoje à Lusa fonte oficial.

“Grande parte das famílias foram retiradas nos anos anteriores e já conhecem o histórico de ocorrência de determinados fenómenos, como cheias, naquelas zonas. As famílias já sabem, mas voltam porque é a base da sua subsistência”, disse Nelson Ludovico, delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) na Zambézia.

A época das chuvas começou a 01 de outubro e os avisos também.

“Mesmo com o reassentamento, na época seca eles estão lá”, nas zonas de risco. 

Os agricultores até ficam “de forma quase permanente naquelas regiões e não é possível evitar, porque é onde tem a base de subsistência”, referiu Alberto Armando, delegado do INGC em Nampula.

O atual período chuvoso soma apenas seis semanas, mas os primeiros temporais já mataram 22 pessoas, deixando outras 16.057 afetadas, segundo dados anunciados pelo Governo.

As províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e a cidade de Maputo foram as mais afetadas, havendo, pelo menos, 922 casas totalmente destruídas e outras 1.704 parcialmente devastadas.

Segundo o INGC, algumas famílias até têm residências em zonas altas, mas passam a maior parte do tempo nas zonas baixas, em acampamentos, para cuidar dos seus campos agrícolas.

“Temos feito sempre sensibilização e, às vezes, quando levam mais tempo a sair, retiramos compulsivamente”, contou Nelson Ludovico, acrescentando que, na Zambézia, foram retiradas de zonas de cheia mais de 3.000 famílias, perto de 11.000 pessoas, na época chuvosa 2019/2020.

De acordo com Alberto Armando, em Angoche, na província de Nampula, considerado o distrito mais crítico, junto à costa, há um total de 2.000 famílias, cerca de 10.000 pessoas, que vivem em locais que se transformam em rios durante a época das chuvas.

“Angoche tem sido um desafio, há quatro comunidades que vivem em zonas de risco”, disse o delegado do INGC em Nampula.

Apesar de retornarem às zonas propensas a inundações, as comunidades têm consciência do problema, avançou, afirmando que a atual preocupação é garantir que “todos tenham residências na zona alta”, às quais possam recorrer em caso de alerta.

“A maior parte dos rios de Nampula são sazonais, na época seca não tem água, mas no período chuvoso pode transbordar em pouco tempo” e qualquer pessoa nas proximidades “poderá ser apanhada de surpresa”, alertou.

Nalguns casos, a população coloca condições, como infraestruturas e oportunidades de emprego nos sítios para onde podem ser transferidos, mas “isso não pode estar acima das suas vidas”, justifica Alberto Armando.

Entre os meses de outubro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre Moçambique.

LYN (LFO) // PJA

Lusa/Fim

By Impala News / Lusa

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