Família de ‘graffiters’ mortos por comboio na Maia querem revisor julgado por homicídio

Familiares de dois ‘graffiters’ espanhóis mortos por um comboio na Maia, em 2015, pediram a um juiz de instrução que mande julgar por homicídio o revisor da CP que atacou os jovens com pó químico de extintor.

Família de 'graffiters' mortos por comboio na Maia querem revisor julgado por homicídio

Família de ‘graffiters’ mortos por comboio na Maia querem revisor julgado por homicídio

Familiares de dois ‘graffiters’ espanhóis mortos por um comboio na Maia, em 2015, pediram a um juiz de instrução que mande julgar por homicídio o revisor da CP que atacou os jovens com pó químico de extintor.

Intervindo no debate instrutório do processo em representação daqueles familiares dos ‘graffiters‘ mortos, no tribunal de Matosinhos, o advogado Vasco Leal Cardoso rejeitou a argumentação invocada pelo Ministério Público da Maia para arquivar o caso sem qualquer acusação e pediu a um juiz de instrução que pronuncie o revisor pela prática do crime de homicídio negligente. Vasco Leal Cardoso avançou, por outro lado, a sua intenção de formular um pedido de indemnização cível conta o revisor, contra a CP e eventualmente contra a companhia de seguros tenha contratado.

“Não há ainda um valor quantificável, mas é seguramente de centenas de milhares de euros”, disse o advogado.

A morte de dois jovens espanhóis, a que se juntou a de um terceiro ‘graffiter’ – este português – ocorreu às 20:30 de 07 dezembro de 2015 no apeadeiro Palmilheira-Águas Santas, Maia, quando aqueles estariam a tentar grafitar as carruagens de um comboio que ali se encontrava parado e outra composição se cruzou a quase 120 quilómetros por hora, atropelando-os.

Em declarações à agência Lusa, Vasco Leal Cardoso disse ter defendido hoje, ante o juiz de instrução, que havia prova testemunhal, documental e pericial que o Ministério Público da Maia não teve em conta em 07 de novembro de 2018 quando, após uma averiguação durante três anos, determinou o arquivamento do processo.

“Não podemos deixar de considerar o uso desproporcional e indevido do extintor pelo arguido, que diretamente contribuiu para o desfecho deste acidente”, consideram os familiares dos dois jovens espanhóis no requerimento que esteve origem desta instrução de processo.

A permanência dos jovens na via aquando a passagem do comboio atropelante “está intimamente ligada à existência da nuvem branca de pó químico, proveniente do extintor (…), causando efetivamente condições de fraca visibilidade”, sublinha o requerimento. Acrescenta que o próprio maquinista testemunhou que “parecia uma neblina de cor branca e não deixava ver par além desse fumo”.

O maquinista é precisamente uma das testemunhas que os familiares dos jovens pedem que seja agora inquirido

A tese do Ministério Público, exposta no despacho que arquivou o caso, foi a de que a nuvem de pó químico gerada pela descarga do referido extintor “em momento algum tirou a visibilidade das luzes do comboio atropelante, apenas limitou a sua visibilidade na zona em que o mesmo foi libertado”. E por isso mesmo, concluiu, “não poderá ser-lhe imputada qualquer responsabilidade na produção do acidente em referência”.

No debate instrutório de hoje, a defesa revisor da CP pronunciou-se no mesmo sentido, pedindo ao juiz de instrutória que confirmasse o arquivamento do caso. A decisão instrutória vai ser lida no dia 04 de abril, às 10:00, no tribunal de Matosinhos.

LEIA MAIS

Previsão do tempo para sexta-feira, 15 de março

Maddie terá sido sequestrada e está viva

Julen: Pai de menino que caiu no poço com medo de deixar a mulher sozinha

Drone sobrevoa cadeia em Matosinhos e deixa cair um saco com telemóveis

Onde está Zé Cabra 11 anos depois de Deixei Tudo Por Ela?

 

Impala Instagram


RELACIONADOS