Falta de fiscalização põe em risco acolhimento de crianças e jovens

Falta de fiscalização põe em risco acolhimento de crianças e jovens

O número de crianças e jovens em perigo acolhidos em famílias ou instituições desceu em 2017. O tempo de acolhimento costuma durar em média 3,6 anos.

O número de crianças e jovens em perigo acolhidos em famílias ou instituições desceu em 2017. Relativamente a 2016, há menos 8% de crianças em risco institucionalizadas, e nos últimos dez anos houve uma descida de 25% no número de crianças e jovens sinalizados.

LEIA MAIS: Na maior parte dos casos, os abusos sexuais são praticados por pessoas que as crianças conhecem

«Portugal começa a dar sinais positivos no caminho da prevenção e/ou redução da institucionalização de crianças e jovens», lê-se na «Caracterização Anual da Situação de Acolhimento de Crianças e Jovens» relativo a 2017.

No ano passado foram 2202 as entradas no sistema de acolhimento, a maior parte por causa de negligência, falta de supervisão e acompanhamento (41%). Em 16% dos casos o acolhimento deveu-se a «comportamentos desviantes».

Em 400 casos considerou-se que foram vítimas de mais tratos psicológicos, 8% casos de exposição a violência doméstica, enquanto 215 casos chegaram ao sistema por terem sido sujeitos a maus tratos físicos e abuso sexual.

A esmagadora maioria (90%) destas novas entradas nunca tinha estado no sistema de acolhimento, mas em 240 casos tratou-se de um regresso, uma vez que já tinham saído, mas foi «detetada nova ou reiterada situação de perigo».

Das novas entradas, 394 seguiram «procedimento de urgência».

Perfil das crianças em risco

A maior parte das crianças e jovens em perigo acolhidas são rapazes entre os 12 e os 20 anos de idade, que compõem 72% do total.

As casas de acolhimento generalista recebem 87% das situações, mesmo no caso das crianças até 5 anos – 88% de um universo de 903 crianças.

Em acolhimento familiar, que continua a ser de «fraca expressão», estavam em 2017 apenas 3% das crianças e jovens em perigo.

O tempo de acolhimento costuma durar em média 3,6 anos, o que aconselha «atenção aos motivos» para tanto tempo de permanência e esforços para aplicar os «planos individuais de intervenção».

No que toca às saídas do sistema em 2017, aumentaram 14% em relação ao ano anterior, na maioria rapazes a partir dos 15 anos que saíram de lares de infância e juventude para voltarem a viver em família, quer a de origem quer adotiva.

Em 984 casos, registaram-se «problemas de comportamento» ligeiros, que exigem «maior atenção».

Entre os que estão em acolhimento havia «comportamentos disruptivos em 28%», sobretudo nas idades entre os 12 e os 17 anos, acompanhados psicologicamente e, em 22% dos casos, com medicamentos.

Para 91% das crianças e jovens em acolhimento houve educação e formação, creche ou ensino pré-escolar.

Durante o acolhimento são orientados para um projeto de vida, o que se conseguiu em 92,3% dos casos em 2017, mais 1,7 pontos percentuais do que em 2016.

A maior parte destes projetos aponta para a autonomização, sobretudo nas idades entre os 12 e os 20, enquanto a reunificação familiar é predominante na faixa 6-11 anos (43,5%).

Em cerca de um terço das crianças até aos 5 anos, o projeto de vida definido foi a adoção.

 LEIA MAIS: Previsão do tempo para quarta-feira, 21 de novembro de 2018

 

Texto: Redação WIN com Lusa - Conteúdos Digitais

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