Escritora turca Asli Erdogan absolvida das acusações de terrorismo

A escritora e jornalista turca Asli Erdogan, que esteve presa quatro meses e meio por acusações de ter tido “atividades terroristas”, foi hoje absolvida por um tribunal de Istambul.

Escritora turca Asli Erdogan absolvida das acusações de terrorismo

Escritora turca Asli Erdogan absolvida das acusações de terrorismo

A escritora e jornalista turca Asli Erdogan, que esteve presa quatro meses e meio por acusações de ter tido “atividades terroristas”, foi hoje absolvida por um tribunal de Istambul.

O tribunal absolveu a romancista das acusações de “tentar minar a integridade do Estado” e de “pertencer a um grupo terrorista” e ordenou a retirada da acusação de “fazer propaganda terrorista”, noticia a agência France-Presse.

Asli Erdogan, de 52 anos, é autora de vários romances e foi colaboradora num jornal local pró-curdo, o Ozgür Gündem, encerrado por decreto em 2016.

As autoridades turcas acusaram Asli Erdogan de ter colaborado com o Ozgür Gündem, de ajudar o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo armado há vários anos em conflito com a Turquia e descrito por Ancara como “terrorista”.

A escritora, que reside atualmente na Alemanha, não esteve presente na audiência, mas o seu advogado leu um texto em seu nome no qual Asli Erodgan afirmou que uma acusação com base em “textos literários é algo que a razão dificilmente pode aceitar no século XXI e que atropela os valores sobre os quais a lei e a literatura se baseiam”.

Asli Erdogan sublinhou ainda que a natureza política dos seus artigos para o Ozgür Gündem “estava limitada à (denúncia de) violações dos direitos humanos” e exigiu a sua absolvição.

A sua prisão e detenção por mais de 130 dias, em 2016, provocaram indignação em todo o mundo.

Para as organizações humanitárias, este julgamento “mostrou bem os crescentes ataques à liberdade de expressão” na Turquia, em particular desde a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016.

Após o golpe fracassado, o Governo de Recep Tayyip Erdogan levou a cabo uma repressão implacável que não poupou a comunicação social nem os meios intelectuais.

Apesar do nome, Asli Erdogan não tem qualquer relação com o Presidente Erdogan.

Embora seja física de formação, iniciou a sua carreira literária em 1994 e recebeu, em 2018, o Prémio Simone de Beauvoir pelos direitos humanos e liberdade das mulheres.

Nos quatro meses e meio em que esteve detida e acusada de terrorismo foi, segundo a própria garantiu ao jornal alemão Deutsch Welle, submetida a tratamento de tortura.

PMC // FPA

By Impala News / Lusa

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