Dois terços das mulheres inquiridas em estudo dizem ter sido alvo de body shaming

Quase dois terços (64%) das mulheres inquiridas num estudo afirmam ser ou ter sido alvo de comentários depreciativos ou insultos sobre o seu corpo, em especial por parte dos amigos, familiares e conhecidos.

Dois terços das mulheres inquiridas em estudo dizem ter sido alvo de body shaming

Dois terços das mulheres inquiridas em estudo dizem ter sido alvo de body shaming

Quase dois terços (64%) das mulheres inquiridas num estudo afirmam ser ou ter sido alvo de comentários depreciativos ou insultos sobre o seu corpo, em especial por parte dos amigos, familiares e conhecidos.

Quase dois terços (64%) das mulheres inquiridas num estudo afirmam ser ou ter sido alvo de comentários depreciativos ou insultos sobre o seu corpo, em especial por parte dos amigos, familiares e conhecidos. O estudo teve como principais objetivos perceber “a percentagem de mulheres portuguesas que já teria sido alvo de ‘body shaming’, quais seriam as consequências em termos comportamentais e em termos de autoestima desse comportamento”, disse hoje à agência Lusa a psicóloga Filipa Jardim da Silva.

A maioria das mulheres afetadas por ‘body shaming’ (68%), uma forma de agressão que envolve criticar ou humilhar alguém através de comentários negativos e depreciativos acerca do corpo ou aparência física, tem um perfil menos jovem, com idades entre os 35 e os 54 anos. Segundo o inquérito “Dove — Body Shaming”, que decorreu em janeiro e envolveu uma amostra de 316 mulheres maiores de 18 anos, 76% das críticas ou insultos foram praticados pessoalmente por conhecidos ou amigos, 56% por familiares. Apenas em 8% foram praticados nas redes sociais.

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“Estes resultados remetem-nos para esta generalização de como o nosso corpo e a nossa imagem se tornou um tópico que muitas vezes não conhece fronteiras, em que as pessoas perderam muitas vezes o discernimento do que é um comentário que têm legitimidade de fazer e um comentário que não tem legitimidade de fazer, porque entra no espetro da identidade e da individualidade do outro”, sublinhou a psicóloga.

Destacou ainda as consequências que “um comentário totalmente depreciativo, nefasto, tóxico” pode ter e que se reflete nos comportamentos adotados: 67% das inquiridas escondem o seu corpo através de roupas mais largas ou mais escuras, 58% adotaram planos alimentares restritivos e 47% alteraram a sua rotina de cuidados de cosmética.

Apesar de ter um lado bom, disse Filipa Jardim da Silva, “o que percebemos é que, no fundo, o catalisador para esta mudança vem de fora, vem de um querer agradar ao outro ou de não querer ser alvo de comentários depreciativos, o que acaba por ser uma motivação não muito saudável”.

Comportamentos criam efeitos nefastos em termos de autoestima

Estes comportamentos vão criando efeitos nefastos em termos de autoestima: 66% das inquiridas confirmaram este efeito e 34% assumem que já fizeram ‘body shaming’ a outras mulheres. “Muitas vezes isto são padrões de defesa também automáticos que nós acabamos por assumir”, frisou.

Segundo a psicóloga, há uma pressão crescente em relação à imagem física das mulheres, tendo-se vindo a perder até o respeito pelo envelhecimento da mulher. “A pressão para a juventude eterna” convida a uma “anulação das rugas, ao não assumir os cabelos brancos a um corpo sempre bastante tonificado e modelado” e a uma maneira de vestir mais jovem. “Mesmo momentos da vida da mulher como, por exemplo, a gravidez o pós-parto, que há alguns anos eram mais respeitados, entraram também neste espetro da pressão”, observou.

A maior parte dos comentários depreciativos acaba por incidir sobre o peso (68,2%), a forma de vestir (23,4%), o “rabo grande” (19,4%), o peito grande (15,4%), e a cara (14,9%). “Os dados mais positivos que retiramos é que um quarto da amostra assume que gosta do corpo tal como é, e 21% das mulheres que sofrem ‘body shaming’ referem que não se sentem impactadas negativamente por estes comentários depreciativos”, salientou.

A psicóloga deixa como mensagem principal “aprender a respeitar e a desenvolver uma relação mais saudável com o nosso corpo e também de respeito com o corpo dos outros”.

 

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