Dmytro Kuleba pede a África que recuse mentiras russas sobre crise alimentar

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, pediu hoje aos africanos que recusem as “mentiras” de Moscovo sobre a crise alimentar e responsabilizou o Presidente russo de disputar os “jogos da fome” com África e o resto do mundo.

Dmytro Kuleba pede a África que recuse mentiras russas sobre crise alimentar

Dmytro Kuleba pede a África que recuse mentiras russas sobre crise alimentar

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, pediu hoje aos africanos que recusem as “mentiras” de Moscovo sobre a crise alimentar e responsabilizou o Presidente russo de disputar os “jogos da fome” com África e o resto do mundo.

Numa videoconferência de imprensa organizada pelo centro de imprensa para África do Departamento de Estado dos EUA, Kuleba explicou que a Ucrânia quer voltar a exportar os seus produtos agrícolas, cruciais em muitos mercados, o mais rápido possível, mas que atualmente é impossível devido à crise do bloqueio dos portos ucranianos pela Rússia e o impacto da guerra nas colheitas.

Segundo Kuleba, “a Rússia está neste momento a bloquear 57 navios cheios de cereais”, lamentou, criticando que “a cadeia tradicional de exportação foi interrompida” devido ao bloqueio imposto pela frota russa no mar Negro.

“Agora só podemos usar estradas, ferrovias e rios”, sublinhou.

“Quando a Rússia lançou a invasão, sabia perfeitamente as consequências que teria, não só para a Ucrânia, mas também para o mundo inteiro”, acentuou Kuleba.

“Moscovo receia que as nações africanas lhe virem as costas por causa da crise alimentar que causou”, sublinhou o ministro, depois de argumentar que as autoridades russas tentam culpar a Ucrânia e as sanções impostas pelo Ocidente pelas perturbações que atingem o mercado alimentar à escala global.

A este respeito, Kuleba pediu aos países africanos que tenham em conta que a Ucrânia sempre foi um fornecedor fiável e sublinhou que a economia do seu país depende em grande medida das suas exportações agrícolas.

“Estamos tão interessados ??em vender as nossas colheitas quanto vocês em recebê-las”, enfatizou o governante ucraniano, que explicou que parte da estratégia da Rússia é expulsar a Ucrânia dos seus mercados tradicionais para “ganhar dinheiro” e ampliar influência russa.

O impacto da guerra na Ucrânia no mercado alimentar global é especialmente agudo em relação a produtos como trigo, milho e girassol, para os quais o país é uma despensa estratégica para o mundo.

Em África, países como Egito, Etiópia ou Tunísia dependem fortemente das exportações ucranianas.

Segundo dados apresentados hoje por Kuleba, 26% do trigo importado nos últimos anos pela Etiópia e Egito era de origem ucraniana.

Assim, Kuleba observou que, embora a Rússia tenha outras armas económicas, como o petróleo e o gás, os produtos agrícolas são essenciais para a sobrevivência da Ucrânia.

O governante ucraniano garantiu ainda que tem em conta os grandes laços de muitas nações africanas com a Rússia (muitas delas evitam condenar a invasão desde o seu início), mas pediu que tenham em conta que Moscovo está a tentar transformar o seu país numa colónia.

Kuleba salientou ainda que as relações da Ucrânia com África sempre foram boas e lembrou que, nos seus contactos com a União Africana (UA), o Presidente Volodymyr Zelensky tem insistido na importância de a voz de África ser ouvida na “arena global”.

Desta forma, manifestou-se otimista sobre a próxima participação nas reuniões do G7 do Presidente senegalês e líder em exercício da UA, Macky Sall, e de Zelensky.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro e a ofensiva militar já matou mais de quatro mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou a fuga de mais de oito milhões de pessoas, das quais mais de 6,6 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

EL // JH

By Impala News / Lusa

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