Criança que morreu após anos de jejum imposto por mãe e padrasto descreve maus-tratos em diário

Diário de uma menor revelou pormenores dramáticos da sua vida, pautada por tortura e um regime estreito de oração imposto pela família.

Criança que morreu após anos de jejum imposto por mãe e padrasto descreve maus-tratos em diário

Diário de uma menor revelou pormenores dramáticos da sua vida, pautada por tortura e um regime estreito de oração imposto pela família.

Pérola Pires, criança de 11 anos, natural de Ubatuba, no Brasil, morreu após longos anos de maus-tratos infligidos pela própria mãe e pelo padrasto. Aline, de 26 anos, e Enri, de 47, foram acusados de homicídio e fanatismo religiosos. Estão presos desde 24 de outubro, data do falecimento de Pérola. Os pormenores do crime foram descritos pela menina num diário com mais de 300 páginas.

No documento, a menor descreve o terror que viveu e que a levou à morte. Durante anos, foi obrigada a fazer jejuns prolongados de semanas e até de meses e, mantida em casa encarcerada, era obrigada a rezar de joelhos durante dias a fio. A autópsia revelou desnutrição severa e prolongada como causa de morte. Mãe e padrasto negaram os factos, afirmando que a menina sofria de anemia. E culparam, até, os médicos que viram a criança duas vezes nos últimos cinco anos.

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Criança «obrigada a permanecer em silêncio e a exercícios extenuantes sem comer para limpar a alma suja»

Ricardo Mamede, superintendente da Polícia brasileira, afirmou que Pérola sofreu «um horror na sua curta vida». Descreveu a situação como «completamente inqualificável». «A menina era obrigada a permanecer em silêncio e a fazer exercícios extenuantes sem comer como forma de limpar a alma suja». Os pais são pessoas «com convicções religiosas radicais e acreditavam que a criança tinha de ser salva com oração e penitência para se purificar», contou.

Pérola não tinha autorização para sair de casa e que passava longos meses fechada no quarto

As autoridades policiais apreenderam o diário e perceberam que a criança não tinha autorização para sair de casa e que passava longos meses fechada no quarto. A criança não ia à escola há cinco anos. Este facto nunca foi comunicado aos serviços de proteção de menores. Foi também encontrado um outro diário, escrito pela mãe, onde são descritas as motivações para os atos contra a filha. O casal vai ficar em prisão preventiva até à data do julgamento e encontra-se isolado dos outros reclusos por questões de segurança.

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