Covid-19: Vacinação em alguns corpos de bombeiros motiva duras críticas

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra (FBDC) considera “uma vergonha” que já existam bombeiros vacinados no distrito, quando a maioria das corporações não sabe a data da vacinação dos seus operacionais.

Covid-19: Vacinação em alguns corpos de bombeiros motiva duras críticas

Covid-19: Vacinação em alguns corpos de bombeiros motiva duras críticas

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra (FBDC) considera “uma vergonha” que já existam bombeiros vacinados no distrito, quando a maioria das corporações não sabe a data da vacinação dos seus operacionais.

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra (FBDC) considera “uma vergonha” que já existam bombeiros vacinados no distrito, quando a maioria das corporações não sabe a data da vacinação dos seus operacionais.

“Isto é uma verdadeira vergonha e um escândalo o que está a acontecer. Infelizmente, mais uma vez, se vem provar que o sistema das cunhas funciona e que não há uma política a nível distrital para resolver estas coisas”, criticou Fernando Carvalho.

Segundo Fernando Carvalho, “haverá eventualmente quatro ou cinco corpos de bombeiros do distrito que têm alguns elementos vacinados, mas a maioria não tem”. “Como é que foram vacinados alguns elementos de corpos de bombeiros e não foram vacinados outros? Temos de saber, dentro de cada concelho, a quem é que o Ministério da Saúde delega as vacinas, a quem as entrega”, questionou, escusando-se a revelar nomes.

O presidente da Liga de Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, fala em “compadrio político” e “numa desvergonha sem dimensão“, que está a colocar “bombeiros contra bombeiros”.

“Quem o fez não terá sido para prejudicar o seu colega, mas deixaram-se envolver numa teia que permite limpar a face da incompetência, da descoordenação e da falta de rigor e desonestidade, no mínimo, intelectual”, sublinhou.

Para Jaime Marta Soares, o ministério da Administração Interna, que tutela os bombeiros, devia perguntar ao Ministério da Saúde “como é que isto é possível”, defendendo um plano “uno e indivisível” a iniciar com a máxima “urgência possível”.

“Desde sábado que andam a oferecer vacinas para segunda-feira, mas então o que é isto, que desnorte é este?”, questiona o dirigente, que na sexta-feira exigiu “transparência e rigor” ao Governo sobre a vacinação contra a covid-19 daquele setor, acusando o processo de ser anárquico e pretender “dividir os próprios bombeiros entre filhos e enteados”.

 

O Comandante de Operações Distrital de Coimbra da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Carlos Luís Tavares, disse à agência Lusa que o processo de vacinação dos bombeiros ainda não começou e que se aguarda a qualquer momento que tenha início.

Assumindo que tem conhecimento de que algumas corporações já têm elementos vacinados, o responsável frisou que “há um processo de vacinação dos bombeiros que é para avançar todo ao mesmo tempo”.

“Se há corporações vacinadas não sei como o fizeram, porque o processo não passou por nós”, sublinhou Carlos Luís Tavares, considerando que se existem sobras o “mais lógico” seria informar a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que, por sua vez, entraria em contacto com os comandantes distritais que as “distribuíam por todos”.

Miguel Baptista, presidente do município de Miranda do Corvo, que há cerca de três meses tem vivido com muitas restrições por causa da pandemia da covid-19, considera a situação “inacreditável”, agravada pelo facto de ter sido “aplicada a profissionais que não efetuam transporte de doentes covid-19”.

Para o autarca, as sobras [de vacinas] não devem ser desperdiçadas, mas devia existir uma articulação entre a autoridade de saúde e o Comando Distrital de Operações de Socorro “para que fosse feita uma distribuição justa pelos bombeiros que estão na linha da frente”.

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