Covid-19: Transportes turísticos do Porto regressam às ruas, mas obras prejudicam negócio

Os ‘tuk-tuk’, os autocarros panorâmicos e as bicicletas regressaram às ruas do Porto carregados de turistas, como em tempos pré-pandémicos, mas as obras que ditaram os encerramentos da Ponte Luiz I e da Rua dos Clérigos prejudicam negócios.

Covid-19: Transportes turísticos do Porto regressam às ruas, mas obras prejudicam negócio

Covid-19: Transportes turísticos do Porto regressam às ruas, mas obras prejudicam negócio

Os ‘tuk-tuk’, os autocarros panorâmicos e as bicicletas regressaram às ruas do Porto carregados de turistas, como em tempos pré-pandémicos, mas as obras que ditaram os encerramentos da Ponte Luiz I e da Rua dos Clérigos prejudicam negócios.

“Desde junho que retomámos a atividade (…). Penso que está a melhorar. Só que no Porto é complicado, porque as ruas são estreitas e temos poucas opções para fugir ao trânsito e com pontes fechadas, ruas fechadas, Rua dos Clérigos fechada, é muito complicado para nós trabalharmos”, relata Vítor Lemos, guia turístico, ao volante dum ‘tuk-tuk’, um meio de transporte turístico usual na Tailândia, mas que invadiu o Porto há cerca de 10 anos, acompanhando a chegada de turistas ao Norte de Portugal pelas companhias aéreas ‘low-cost’ (baixo custo).

O motorista de tuk-tuk destaca que os turistas voltaram a encher as ruas da cidade, mas salienta que 2021 deu as mãos a um turismo ‘low cost’, diferente daquele que se experienciava em 2019, ano de ouro do setor no Norte de Portugal, antes da pandemia.

“Turismo forte traz tudo de bom, turismo ‘low cost’ é um bocado diferente. Os voos baratos são outras opções. É claro que temos muita gente no Porto e estamos contentes por ter muita gente no Porto, mas está um bocadinho diferente dessa época [de 2019]”, conta.

Apesar dos constrangimentos do trânsito que se vivem atualmente no centro da cidade, devido às obras do metro e das obras de reabilitação na Ponte Luiz I, que obrigaram ao encerramento daquela ligação entre Porto e Vila Nova de Gaia, André Rodrigues, administrador da Rollertown, empresa do setor turístico, que tem atualmente 10 autocarros turísticos a operar no Porto, conta que no verão os autocarros atingiram uma ocupação à rondar os 50%, quando comparando aos valores de 2019.

“Temos assistido a um crescendo e evolução, procurando chegar aos tais níveis de referência de 2019. Posso-lhe dizer que por altura do verão atingimos à volta de 50% dos valores de 2019. Parece-nos francamente bom e motivador. Neste momento estamos com uma quebra de 30% a 40% e, portanto, vamos tentando acompanhar de perto e obviamente tomando as medidas que sejam necessárias”, declarou à Lusa, acrescentando que a frequência dos autocarros é igual à de 2019.

Sobre a possibilidade de uma possível quinta vaga da covid-19, André Rodrigues assegura que a “empresa está preparada”.

“Se tivermos de fechar ou confinar a bem do país, que o façamos, mas não tenho duvidas que a empresa está preparada. Não baixamos os braços. É uma empresa comercial, sabemos o que temos de fazer e estamos preparados para servir a cidade e, portanto, o compromisso é de longo prazo”.

O francês Jorge Filibert, que chegou de Lyon para passar uma semana de férias no Porto, diz-se satisfeito com a oferta dos meios de transportes públicos e turísticos da cidade. Conta que optou pelo autocarro panorâmico por considerá-lo uma forma segura e maravilhosa de descobrir a cidade.

Gesa Fisher e Jutta Lemkav, duas alemãs de férias seis dias do Porto, preferiram conhecer a cidade de bicicleta tradicional, um meio de transporte que usam amiúde em Bielefeld, cidade alemã onde vivem, localizada entre Dortmund e Hamburgo (Norte da Alemanha).

“Queremos ir até à praia e fazer a marginal e achámos que era mais fácil de bicicleta. Queremos passear devagar, apreciar as praias e por isso a bicicleta é a melhor solução”, explicou Gesa.

A amiga, Jutta Lemkav, revela que tenta usar o menos possível carro na sua vida, considerando que a bicicleta é um meio de transporte maravilhoso para explorar o Porto e amigo do ambiente.

Jutta refere, todavia, que as ruas do Porto, com subidas, exigem mais força muscular do que andar de bicicleta na sua cidade na Alemanha, onde, refere, há caminhos destinados para as bicicletas seguros e fáceis.

O negócio de aluguer de bicicletas correu bem este verão. Foi dos poucos negócios que, mesmo em pandemia, não encerrou completamente, recorda José Luís Leitão, gerente da loja Biclas & Triclas — Rent a Bike and Tours”, sediada perto do edifício da Alfândega do Porto.

“A pandemia, a coisa boa que trouxe para o meu negócio, foi que os cidadãos portugueses também despertaram um pouco para as bicicletas e passaram a ser um pretexto para poderem andar um passeio sem serem incomodados pelas autoridades. (…) Digamos que em termos de clientela portuguesa, de pessoas que vivem aqui na cidade, 2021 foi, se calhar, o nosso melhor ano de sempre”, assumiu empresário.

Os meses de julho, agosto, setembro e mesmo em outubro registaram “muitos clientes” e foi sempre em crescendo, mas está a começar a registar-se uma quebra nestes últimos dias de novembro e que pode estar relacionada com a “publicidade à quinta vaga da covid-19”, refere o gerente do Biclas & Triclas.

Pelas ruas portuenses da zona da Ribeira, Alfândega, Clérigos ou Foz cruzam-se pelotões de bicicletas elétricas conduzidas por turistas de todo o mundo, convivendo com ‘tuk-tuk’, autocarros panorâmicos, trotinetes ou skaters. Só o congestionamento do trânsito devido às obras do metro torna os passeios mais demorados e menos mágicos.

CCM//LIL

By Impala News / Lusa

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