CASA PIA – «E Agora?» [Grande Reportagem, 2.ª Parte]

CASA PIA – «E Agora?» [Grande Reportagem, 2.ª Parte]

Por que dá o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem razão a Carlos Cruz em parte das suas queixas? Por que resistem tantas dúvidas sobre o processo Casa Pia passados tantos anos?

Na passada semana, terça-feira, 26 de junho, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) deu em parte razão ao apresentador Carlos Cruz. Para os juízes daquela instância supranacional, a aplicação da Justiça no processo Casa Pia falhou.

O TEDH concluiu que o Tribunal da Relação de Lisboa devia ter aceitado as novas provas apresentadas por Carlos Cruz no recurso. O que não aconteceu.

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A 28 de novembro de 2002, cinco dias depois da prisão de Carlos Silvino e dois após as aparições de Felícia Cabrita e Teresa Costa Macedo no programa da SIC Hora Extra, a revista Visão trazia na capa o título «Os ballets da Casa Pia, as histórias por dentro o escândalo de pedofilia que abalou o País».

No interior, em entrevista, Pedro Strecht afirmava que a situação era «assustadora» e que «estas redes envolvem pessoas com muita influência social, política e económica».

O pedopsiquiatra que refere «centenas de vítimas» e que defende que «as crianças não mentem» seguia há anos as principais do grupo de dez assistentes que viriam a acusar arguidos e suspeitos famosos ou políticos deste megaprocesso.

A teia de cumplicidades e o ‘empurrão’ à Polícia Judiciária

Pedro Strecht deu ao Ministério Público a certeza de que este precisava para acusar os arguidos. Afirmava poder «assegurar que não nos encontramos perante falsas alegações».

Ao fazê-lo, a Polícia Judiciária ficaria colocada numa posição praticamente impossível de gerir se não avançasse. Se deixasse que estes homens famosos e bem relacionados escapassem à Justiça, surgiria inevitavelmente a interpretação de ‘mais um indício de corrupção na Polícia’.

A PJ ficou sob imensa pressão para deter os arguidos. E depois de os ter detido ficou debaixo de uma pressão ainda maior para conseguir alegações contra eles que fossem suficientes para garantir que seriam levados a julgamento e condenados.

É esta aparente teia de cumplicidades o ponto de partida para a segunda parte da grande reportagem Casa Pia – E Agora?

As perguntas da reportagem Casa Pia – E agora?

Por que dá o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem razão a Carlos Cruz em parte das suas queixas? Por que vieram as testemunhas dizer que mentiram nos depoimentos iniciais e os tribunais mantiveram essas primeiras versões? Por que mentiu a denunciante do caso, Teresa Costa Macedo, condenada por crimes de falsidade de testemunho? Por que se arrependeu a jornalista Felícia Cabrita de ter noticiado o caso Casa Pia? Por que resistem tantas dúvidas sobre o processo Casa Pia, passados tantos anos?

Casa Pia – E Agora? (2.ª Parte)

Casa Pia – E Agora? (1.ª Parte)

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Reportagem: Luís Martins; Edição: Shawna Ashley


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