Câmara do Porto pede reforço da polícia depois de desacatados entre adeptos de futebol

O presidente da Câmara do Porto pediu hoje um reforço dos meios da PSP na sequência de desacatos provocados por adeptos de futebol, instando o Ministério da Administração Interna a abandonar “o negacionismo em que caiu”.

Câmara do Porto pede reforço da polícia depois de desacatados entre adeptos de futebol

Câmara do Porto pede reforço da polícia depois de desacatados entre adeptos de futebol

O presidente da Câmara do Porto pediu hoje um reforço dos meios da PSP na sequência de desacatos provocados por adeptos de futebol, instando o Ministério da Administração Interna a abandonar “o negacionismo em que caiu”.

Em comunicado, a Câmara do Porto refere que Rui Moreira escreveu hoje uma carta de protesto ao Ministério da Administração Interna (MAI), pedindo “uma clara e veemente reivindicação de mais meios, melhor enquadramento legal e que o Governo abandone o negacionismo em que caiu sobre” segurança pública.

A carta surge na sequência de confrontos ocorridos na quarta-feira, no Porto, entre adeptos ingleses e belgas, e divulgados em redes sociais, situação que levou também Rui Moreira a transmitir ao Comando Metropolitano do Porto da PSP “preocupação” pelo sucedido.

“Face à incapacidade ou falta de vontade política do Ministério da Administração Interna para encarar de frente o problema e assumir que terá de aumentar o investimento nesta área fundamental de um Estado de Direito, que significa a segurança pública, o presidente da Câmara do Porto escreveu hoje uma carta ao ministro da Administração Interna, a quem, desta forma, e mais uma vez, apresenta uma clara e veemente reivindicação de mais meios, melhor enquadramento legal e que o Governo abandone o negacionismo em que caiu sobre esta matéria”, lê-se no comunicado.

De acordo com a câmara, “tendo consciência de que algumas das imagens difundidas nem sequer foram recolhidas no Porto, embora estejam a ser apresentadas como tal, misturadas com outras que efetivamente correspondem à cidade do Porto, o presidente da autarquia considera inaceitável e muito preocupante que o Ministério da Administração Interna tenha perdido a capacidade de intervir na manutenção da ordem pública no país”.

Segundo a autarquia, os alertas de Rui Moreira têm sido “recorrentes” face “à perceção da falta de segurança pública na cidade, que é uma competência exclusiva da PSP, tutelada pelo Governo, e à qual a Polícia Municipal não se pode substituir, a menos que por requerimento da PSP em situações que o justifiquem, o que nunca aconteceu”.

Para além do tráfico de droga e ocupação abusiva da via pública para esse efeito, acrescenta a Câmara, têm-se verificado outras situações “que, sendo normais nas cidades, não podem ser deixadas sem intervenção policial e, sobretudo, não podem ganhar proporção por ausência evidente de patrulhamento suficiente”.

O município recorda que o presidente da Câmara do Porto revelou recentemente que, segundo números oficiais, o Comando Metropolitano do Porto perdeu desde 2011 cerca de 12% do seu efetivo, estando prevista a sua contínua diminuição por falta de formação de novos agentes no país.

Até hoje, sublinha a autarquia, os alertas e pedidos de reforço de meios na Área Metropolitana do Porto não resultaram “em qualquer ação visível por parte do Ministério da Administração Interna, que invoca estudos indicando a diminuição da criminalidade no país para não aceitar investir na sua segurança”.

“A Câmara do Porto, mesmo não tendo competências na matéria, tem procurado oferecer à PSP os meios de que necessita e o Governo não lhe fornece, tendo já aprovado a doação de carros àquela polícia, tendo também reforçado as competências municipais em matéria de trânsito para libertar a PSP para ações de segurança pública, investido no Centro de Gestão Integrada e na colocação na cidade de cerca de 140 câmaras de vigilância à disposição do MAI e tendo-se também disponibilizado para pagar policiamento gratificado nas zonas críticas”, acrescenta.

Fonte da PSP disse à Lusa que, “ao longo do dia” de quarta-feira, “os adeptos ingleses e belgas que estão no Porto para os jogos de futebol envolveram-se em escaramuças. A situação foi mais intensa depois das 15:00, acalmou depois, e a seguir ao jantar voltou a intensificar-se até cerca das 00:00”, sendo que pelas 00:45 a situação estava “mais calma”.

Segundo a mesma fonte, os confrontos ocorreram em vários locais do Porto, como as Galerias de Paris ou a zona dos Clérigos, tendo sido danificada uma esplanada.

A equipa belga Standard Liège vai defrontar hoje o Vitória de Guimarães, enquanto os ingleses do Wolverhampton vão jogar contra o Sporting de Braga, em jogos a contar para a fase de grupos da Liga Europa em futebol.

VSYM (AJO)//JAP

By Impala News / Lusa

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