Brasil autoriza extradição de um dos autores de massacre de 1977 em Madrid

A extradição do espanhol Carlos García Juliá, condenado por participar no massacre de advogados de esquerda cometido em Madrid, em 1977, foi autorizada pelo Supremo Tribunal do Brasil.

Brasil autoriza extradição de um dos autores de massacre de 1977 em Madrid

Brasil autoriza extradição de um dos autores de massacre de 1977 em Madrid

A extradição do espanhol Carlos García Juliá, condenado por participar no massacre de advogados de esquerda cometido em Madrid, em 1977, foi autorizada pelo Supremo Tribunal do Brasil.

As autoridades brasileiras atenderam assim ao pedido do Governo espanhol sobre a extradição do ex-militante do partido de extrema-direita Força Nova, um dos autores do massacre em que três advogados trabalhistas, um estudante de direito e um funcionário administrativo foram assassinados a tiro.

García Juliá, que cumpriu 14 dos 193 anos de prisão a que foi condenado em 1980, encontrava-se foragido e foi preso em dezembro de 2018 no estado brasileiro de São Paulo, onde vivia sob uma falsa identidade venezuelana.

A Justiça espanhola pediu ao Governo que solicitasse às autoridades brasileiras a extradição de García Juliá, por entender que a sentença que lhe foi imposta não se econtrava prescrita e que lhe faltavam cumprir 3.855 dias de prisão.

Numa audiência pública realizada na terça-feira, o Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) autorizou a extradição do espanhol por considerar estarem cumpridos os requisitos necessários, como a tipificação dos crimes e a não configuração de um crime político.

Num parecer enviado ao STF, a Procuradora-Geral da República do Brasil, Raquel Dodge, recomendou a extradição ao “não verificar” que a petição apresentada pelas autoridades espanholas “foi apresentada com o objetivo de perseguir ou punir o extraditado por opiniões políticas”.

Contudo, os detalhes do processo de extradição ainda não foram divulgados.

O ex-militante do Força Nova, que tinha 24 anos quando cometeu o massacre, foi condenado em 1980 por cinco homicídios e quatro tentativas de homicídio no escritório de advocacia da organização sindical Comissões Operárias, localizado na rua Atocha, 55, no centro de Madrid.

A sentença foi limitada ao máximo de 30 anos, então previstos pela lei espanhola, e em 1991 foi-lhe concedida liberdade condicional.

Posteriormente, García Juliá obteve autorização para viajar e trabalhar na capital paraguaia de Assunção, com a condição de se apresentar mensalmente na Embaixada da Espanha no Paraguai.

O condenado desapareceu, tendo iniciado um período de fugas na América Latina. A última pista, antes de ser preso no Brasil, foi perdida na Bolívia, onde García Juliá residiu e foi preso por um crime relacionado com tráfico de drogas.

Após duas décadas com paradeiro desconhecido, o espanhol foi detido em dezembro de 2018, em São Paulo, na sequência de investigações da Polícia Nacional Espanhola e da Polícia Federal Brasileira, com o apoio da Interpol.

Carlos García Juliá foi preso ao sair de casa, na Barra Funda, um bairro de classe média da capital paulista. Os vizinhos descreveram o condenado como um homem “gentil, discreto e “educado”, conhecido pelo nome de Genaro Antonio Materan.

Segundo as autoridades, o espanhol morou no Brasil quase duas décadas e trabalhou como motorista de Uber, fazendo-se passar por cidadão venezuelano.

García Juliá chegou ao Brasil em 2001 através de Pacaraima, uma cidade pobre no estado brasileiro de Roraima, mas antes disso passou pela Bolívia, Chile, Argentina e Venezuela, com várias identidades falsas.

MYMM // EJ

By Impala News / Lusa

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