Associação LGBT de Angola denuncia violência física e psicológica contra associados

Associação LGBT de Angola denuncia violência física e psicológica contra associados

A Associação Íris Angola, única associação LGBT no país, denunciou hoje que regista, semanalmente, “vários casos” de violência física e psicológica de jovens homo ou transsexuais, sobretudo no seio da família, exortando ao “respeito e inclusão social”.

A situação foi relatada hoje por Carlos Fernandes, diretor e cofundador da associação, legalizada pelo Governo angolano em junho de 2018, que apontou esta como uma das principais preocupações, a par do “estigma e privação de liberdades”.

“As nossas principais preocupações prendem-se inicialmente com as famílias, pois continuamos a receber jovens e adolescentes que têm sofrido muita violência verbal e física em casa, a privação da sua liberdade”, explicou.

Segundo Carlos Fernandes, muitos pais quando descobrem que os filhos são homossexuais “não querem pagar os seus estudos” e em consequência regista-se no seio dos associados um “baixo nível de escolaridade”.

“Semanalmente recebemos relatos de pressões e agressões no seio da família com filhos homossexuais. Persiste, sim, o estigma e em grande escala no acesso ao emprego”, lamentou.

Em declarações à agência Lusa, em Luanda, o líder associativo deu a conhecer que a Íris Angola catalogou já cerca de 200 associados com trabalhos realizados nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla e Huambo após o aval das autoridades angolanas.

Para Carlos Fernandes, a legalização desta rara associação LGBT de Angola veio abrir “novos horizontes”, sobretudo para algumas atividades que desenvolvem, enumerando “várias vantagens”.

“Primeiro teremos mais possibilidades de concorrer em concursos públicos que existem e ainda de apoios externos, visto que no nosso país é um pouco difícil encontrar pessoas ou entidades que queiram associar o seu nome a nós”, adiantou.

Entre os desafios da associação, acrescentou, está a busca pelo reconhecimento no seio da sociedade e não pela aceitação.

“Um dos nossos grandes combates tem a ver com não pensarem que buscamos aceitação, porque queremos apenas que as pessoas reconheçam que somos parte de um conjunto de pessoas e não precisamos de ser filtrados ou coisa parecida”, concluiu.

Fundada em 2013, a Associação Íris de Angola recebeu em 2016 o certificado do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, mas apenas em junho de 2018 foi legalmente formalizada pelas autoridades.

DYAS // JH

By Impala News / Lusa

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