Angola forma técnicos contra tráfico de seres humanos com registo de mais de 100 casos

Funcionários da saúde e assistentes sociais angolanos receberam hoje formação sobre tráfico de seres humanos, fenómeno de que Angola tem o registo, nos últimos cinco anos, de mais de 100 casos.

Angola forma técnicos contra tráfico de seres humanos com registo de mais de 100 casos

Angola forma técnicos contra tráfico de seres humanos com registo de mais de 100 casos

Funcionários da saúde e assistentes sociais angolanos receberam hoje formação sobre tráfico de seres humanos, fenómeno de que Angola tem o registo, nos últimos cinco anos, de mais de 100 casos.

A informação foi divulgada pela secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania, Ana Celeste Januário, à margem da palestra sobre Tráfico de Seres Humanos, realizada em comemoração do Dia Internacional contra o Tráfico de Pessoas, que se assinala em 30 de julho.

A governante disse que outras palestras foram já dirigidas a notários e conservadores e para jovens, sendo esta para assistentes sociais e funcionários de saúde, pessoas que trabalham com pesquisas, grupos vulneráveis e com doentes, podendo alertar e denunciar às autoridades questões do tráfico de seres humanos.

Ana Celeste Januário frisou que em Angola, dos mais de 100 casos registados, entre 2015 e 2020, duas dezenas foram já julgados.

“A semana passada o tribunal provincial de Luanda julgou e condenou mais um caso de tráfico de seres humanos, significa que estamos a sentir a resposta e a ação das autoridades relativamente à questão do tráfico”, afirmou a governante angolana.

As províncias de fronteira e Luanda, capital do país, são as que lideram a lista de casos, avançou a secretária de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania.

“Luanda, porque é uma província com quase 30 milhões de habitantes, o movimento é muito grande, depois a província do Cunene, sobretudo tentativas de tráfico para exploração laboral de crianças na Namíbia, o Zaire, onde muitas vezes vêm crianças (…) para exploração, temos casos na Lunda Norte e também na província de Malanje”, revelou.

Segundo Ana Celeste Januário, são essencialmente tráfico para exploração infantil, frisando que o grupo alvo de maior preocupação no combate ao tráfico de seres humanos são as crianças.

Além da conexão Angola-Namíbia, na parte sul, e Angola-República Democrática do Congo, na parte norte, através dos aeroportos, a principal porta de entrada para a Europa é Portugal, “lugar onde normalmente, sobretudo as vítimas angolanas, crianças, saem”.

“Pode ser para serem traficadas em Portugal, mas também temos casos de passagem para a Itália, França e os Países Baixos. Vindos para Angola também já tivemos casos julgados de mulheres asiáticas, que vieram para exploração sexual”, referiu.

Ana Celeste Januário frisou que o tráfico de seres humanos é um crime lucrativo e feito na clandestinidade, mas com o nível de consciencialização e os trabalhos com diferentes operadores, incluindo os de justiça, já se conseguiu que as pessoas detetem mais facilmente esses casos.

“Por isso melhor são investigados e levados à justiça”, acrescentou.

Um dos fins do tráfico de seres humanos é o tráfico de órgãos, mas Angola não tem o registo de nenhum caso, apenas sinalizadas situações de pessoas que foram transportadas de Angola para outros países, presumindo-se que, neste caso, “tenham sido levadas para tráfico de órgãos”.

“Por outro lado, a nossa lei de transplante é muito recente, como internamente ainda não se faz o transplante — normalmente a questão do tráfico de órgãos é para isso — é mais um dos motivos que ainda não temos incidência de casos de tráfico de órgãos”, realçou a dirigente angolana.

NME // LFS

By Impala News / Lusa

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