Ângela está prestes a cumprir o sonho de engravidar do marido morto

História de Ângela e Hugo emocionou o País e criou uma onda de apoio, que resultou numa petição assinada por 20 mil pessoas.

Ângela está prestes a cumprir o sonho de engravidar do marido morto

História de Ângela e Hugo emocionou o País e criou uma onda de apoio, que resultou numa petição assinada por 20 mil pessoas.

A história de amor entre Ângela e Hugo ficou conhecida no início deste ano, após uma reportagem da TVI, e, desde então, tem emocionado o País. A felicidade do casal, que pretendia ter um filho, foi interrompida quando Hugo foi diagnosticado, pela segunda vez, com cancro. Apesar da doença e da certeza de que perderia a vida, o jovem, de 29 anos, continuou a querer cumprir o sonho de ser pai e autorizou a mulher a fazer uma inseminação artificial, mesmo que o tratamento surgisse tarde de mais para que pudesse conhecer o filho. Hugo perdeu a luta contra o cancro a 25 de março de 2019, apenas 12 horas depois de ter casado, no Hospital São João.

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Ângela conseguiu o apoio da maioria dos Partidos

Após a dolorosa perda, Ângela quis avançar para a inseminação artificial, mas foi travada pela lei da procriação medicamente assistida vigente em Portugal. Não era possível fazer o tratamento após a morte do marido. Não baixou os braços e avançou com uma petição para alterar a lei. Conseguiu as 20 mil assinaturas necessárias para a votação da alteração na Assembleia da República e tem o apoio da maioria dos Partidos. «No dia 12 de março, fui ouvida pela Comissão de Saúde e vim otimista. PS, BE e CDS já me deram parecer positivo. A votação estava marcada para dia 20 de março, mas a pandemia levou ao cancelamento», explica Ângela em exclusivo ao Portal de Notícias.

«Dizem-me que o nosso filho vai ser o sobrinho dos portugueses»

Acredita que «após este problema de saúde pública» conseguirá a tão aguardada autorização para fazer a inseminação artificial. «Não vou esperar muito depois de o País começar o desconfinamento e acredito que o assunto não está esquecido por parte dos partidos políticos», diz. Adianta ainda que, desde a emissão da reportagem que deu a conhecer a sua história e a sua luta, tem sido muito abordada por anónimos que querem saber como está a situação. «Já me dizem que o nosso filho vai ser o sobrinho dos portugueses (risos). As pessoas têm sido muito carinhosas. Sei que a maior parte quer que o nosso filho nasça», sublinha.

Nome do bebé já estava escolhido

O nome do bebé já estava escolhido. Guilherme. «Eu e o Hugo sempre falámos no nosso Guilherme. Ele tinha a certeza de que ia ser um rapaz», recorda. Contudo, no caso de vir a ter uma, Ângela e Hugo não tinham escolhido nome. Algo que, entretanto, já mudou. «Se for menina, como não tínhamos pensado nisso, acho que vai ser Vitória. Faz todo o sentido. Será a vitória do nosso amor», conclui.

Data da morte assinalado com «gratidão»

No passado dia 25 de março, cumpriu-se um ano da morte de Hugo. Horas antes, tinha casado no Hospital de São João, no Porto, rodeado por família e amigos. Ângela não deixou passar a data em branco, mas fê-lo sem sofrimento. «É uma data difícil, mas preferi lembrar o dia anterior, em que nos casámos. A 25, agradeci. Tinha de fazê-lo. Tive-o pouco tempo, mas tive o privilégio de o ter na minha vida. Sou muito grata por isso. Esta semana, no dia 26, também celebrei com alegria uma data importante para nós. Fez no domingo dois anos que o Hugo me pediu em casamento, numa viagem que fizemos a Madrid. Ouvi a música com que fez o pedido. Ainda não o tinha feito desde que faleceu porque tinha medo de ficar triste. Mas não fiquei. Foi um relembrar de tudo o que de bom que vivi com ele», recorda.

Projeto profissional a dois

Em quarentena voluntária, Ângela está recolhida em casa, no andar moradia para onde se tinha mudado pouco tempo antes de ficar viúva. A cabeleireira está sem poder exercer a profissão, mas não está sem ocupação. «Estou a fazer uma formação online de cabeleireira e barbeira», conta. Isto porque o casal tinha como projeto abrir um espaço conjunto, onde Ângela faria o serviço de cabeleireira e Hugo o de barbeiro. «O nosso projeto inicial era esse e foi mais um sonho nosso que não quis deixar morrer», conclui.

Texto de Cynthia Valente

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