Ainda há sangue no asfalto da principal estrada moçambicana após o pior acidente de sempre

O acidente de viação que matou mais de 30 pessoas na estrada Nacional 1 na noite de sábado é considerado o pior de sempre em Moçambique e o sangue na estrada revela a magnitude da tragédia.

Ainda há sangue no asfalto da principal estrada moçambicana após o pior acidente de sempre

Ainda há sangue no asfalto da principal estrada moçambicana após o pior acidente de sempre

O acidente de viação que matou mais de 30 pessoas na estrada Nacional 1 na noite de sábado é considerado o pior de sempre em Moçambique e o sangue na estrada revela a magnitude da tragédia.

Manhiça, Moçambique, 04 jul 2021 (Lusa) – O acidente de viação que matou mais de 30 pessoas na estrada Nacional Número 1 na noite de sábado é considerado pelas autoridades o pior de sempre em Moçambique e o sangue ainda na estrada revela a magnitude da tragédia.

“Este é o acidente mais aparatoso e com um nível de fatalidade mais alto que já tenhamos registado”, disse à Lusa o diretor nacional de Transportes e Segurança, Cláudio Zunguza, no local do acidente.

A tragédia envolveu dois camiões e um autocarro da transportadora Nhancale, que tentou fazer uma ultrapassagem irregular, embateu num dos camiões e capotou, provocando a morte de, pelo menos, 31 pessoas no local e ferindo outras 28 pessoas, 12 das quais gravemente, declarou a fonte.

No local, o sangue ainda fresco no asfalto revela a magnitude do acidente, ocorrido na principal estrada do país (EN1), no distrito da Manhiça, província de Maputo.

“Constatamos que se tratou de uma ultrapassagem irregular, associada ao excesso de velocidade por parte do autocarro”, acrescentou o diretor nacional de Transportes e Segurança.

O autocarro em que as vítimas seguiam foi retirado da estrada, mas os destroços, alguns dos quais ensanguentados, continuavam no local até a tarde de hoje, bem como os dois outros camiões que se envolveram no sinistro.

Os sobreviventes foram levados durante a noite para o Hospital Distrital da Manhiça, mas posteriormente foram transferidos para Hospital Central de Maputo, o maior do país.

Segundo o diretor clínico do banco de socorros do Hospital Distrital da Manhiça, as causas da morte da maior parte das pessoas que a unidade recebeu foram amputação traumática e múltiplas fraturas expostas, embora alguns tenham perdido a vida esmagados durante o acidente.

“Muitos deles chegaram já sem membros”, declarou Milton Meneses, acrescentando que, desde a noite de sábado, várias famílias têm estado no hospital para identificar os corpos.

O representante da empresa proprietária de um dos camiões que se envolveu no sinistro foi informado durante a noite e chegou ao local logo pela manhã, mas só teve noção da gravidade da tragédia quando viu as condições dos veículos.

“Quando recebemos a informação pensamos que fosse um acidente simples, mas quando chegamos ao local vimos a gravidade do acidente. Foi muito triste”, disse à Lusa Elias António, representante da empresa de transporte carga Home, acrescentando que o motorista da sua companhia continua inconsciente, internado no Hospital Central de Maputo.

Até por volta das 23:00 (menos uma de Lisboa), os corpos espalhados nas proximidades do autocarro totalmente destruído revelavam a magnitude do acidente, que acabou condicionando a circulação de viaturas naquela que é a principal estrada do país.

A situação da sinistralidade rodoviária em Moçambique é apontada por várias organizações não governamentais como dramática, com o país a ocupar a sexta posição da lista de países com maior índice de sinistralidade na África Austral.

Em média, pelo menos mil pessoas morrem anualmente em acidentes de viação em estradas moçambicanas, segundo dados avançados à Lusa, em maio, pela Associação Moçambicana para Vítimas de Acidentes de Viação (Amviro).

Em 2020, o país registou o número mais baixo de fatalidades nas estradas dos últimos 10 anos (855 óbitos), um dado associado às restrições impostas pela covid-19.

EYAC // PJA

By Impala News / Lusa

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