Cerca de 400 pessoas unidas na Serra da Estrela contra a exploração de lítio

Centenas de pessoas reuniram-se no ponto mais alto da Serra da Estrela para protestarem contra a exploração de lítio.

Cerca de 400 pessoas unidas na Serra da Estrela contra a exploração de lítio

Cerca de 400 pessoas unidas na Serra da Estrela contra a exploração de lítio

Centenas de pessoas reuniram-se no ponto mais alto da Serra da Estrela para protestarem contra a exploração de lítio.

Cerca de 400 pessoas participaram este sábado, 24 de agosto, na Torre, o ponto mais alto da Serra da Estrela, numa ação organizada por um grupo de cidadãos e associações ambientais contra a exploração de lítio em Portugal.

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A ação, que decorreu no ponto mais alto de Portugal continental, consistiu na criação da mensagem «Não às minas. Water is life [A água é vida]» e no desenho da «árvore da vida», com o recurso aos corpos das pessoas, que foram filmados com um ‘drone’. Na iniciativa participaram cerca de 400 pessoas, segundo a organização, sendo a maioria estrangeiras, e também representantes de associações ambientalistas e movimentos cívicos e do partido ecologista Os Verdes.

Segundo os promotores, a mensagem visual irá ser divulgada internacionalmente «para ampliar as vozes dos milhares de cidadãos e grupos ambientais do centro e norte do país que estão contra a mineração de lítio e outras substâncias à porta das suas residências». A iniciativa foi promovida pelas organizações Awakened Forest Project e Wildlings, com o apoio de outras entidades como a Tamera, Teia da Terra ou Linha Vermelha.

Exploração de lítio acarreta «riscos sociais, económicos e ambientais»

De acordo com Raquel Perdigão, da organização, a ação é «uma chamada de atenção para todos os contratos [de explorações de lítio] que estão prestes a serem assinados» em Portugal. «Nós queremos chamar a atenção, não só da população, mas também do Governo», disse. Raquel Perdigão explicou aos jornalistas que a exploração de lítio acarreta «riscos sociais, económicos e ambientais», destacando a poluição devido às emissões de CO2 (dióxido de carbono) e de lençóis freáticos e preocupações com «a desflorestação das áreas que poderão sofrer essa extração».

Os participantes exigem ao Governo e às entidades locais para que repensem os efeitos que a exploração de lítio terá para o país. Samuel Infante, da associação ambientalista Quercus, entidade que está desde a primeira hora na luta «contra a corrida ao lítio», disse que a ação realizada na Serra da Estrela serve para dizer que o país «não precisa desta corrida» a esta exploração e existem alternativas de desenvolvimento.

Os participantes dizem um «não redondo» ao Governo na corrida «completamente desenfreada», disse o representante da Quercus. Miguel Martins, do partido ecologista Os Verdes, que também marcou presença na ação, disse à Lusa que «não pode haver exploração de recursos minerais que coloquem em causa a qualidade de vida das populações, dos ecossistemas e do próprio ambiente».

Ação é contra estratégia do Governo

O local foi escolhido para o protesto – a Torre, o ponto mais alto de Portugal continental – foi por existirem diversos pontos de prospeção de lítio à volta da Serra da Estrela, com a concessão ‘Boa Vista’, que abrange os concelhos de Seia, Tábua, Oliveira do Hospital e Gouveia, segundo os promotores.

A ação popular hoje realizada é contra a estratégia internacional do Governo «de lançar Portugal como destino para a mineração de lítio, com 10,1% do território para prospeção», também assinalada. O protesto apanhou de surpresa o pastor Pedro Gomes, de Oliveira do Hospital, que apascenta 400 ovelhas na Serra da Estrela. Pedro Gomes disse à Lusa que a exploração de lítio «é muito prejudicial para a saúde e para as águas» e o Governo devia «por um travão» no processo.

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