Von der Leyen quer Europa como primeiro continente neutro em carbono em 2050

A candidata à presidência da Comissão Europeia comprometeu-se hoje a tornar a Europa o primeiro continente a alcançar a meta da neutralidade carbónica em 2050.

Von der Leyen quer Europa como primeiro continente neutro em carbono em 2050

Von der Leyen quer Europa como primeiro continente neutro em carbono em 2050

A candidata à presidência da Comissão Europeia comprometeu-se hoje a tornar a Europa o primeiro continente a alcançar a meta da neutralidade carbónica em 2050.

Estrasburgo, França, 16 jul (Lusa) — A candidata à presidência da Comissão Europeia comprometeu-se hoje a tornar a Europa o primeiro continente a alcançar a meta da neutralidade carbónica em 2050, indicando que irá apresentar um “acordo verde” nos primeiros 100 dias no cargo.

“O nosso desafio mais premente é manter o nosso planeta saudável. É a maior responsabilidade e oportunidade do nosso tempo. Quero que a Europa seja o primeiro continente neutro em carbono em 2050. Para que tal aconteça, temos de assumir metas mais ambiciosas. O nosso objetivo atual não é suficiente”, declarou Ursula Von der Leyen, diante do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo.

Num discurso de mais de 30 minutos, proferido em francês, alemão e inglês, a candidata designada pelo Conselho Europeu para a presidência do executivo comunitário não deixou nenhum dos grandes temas europeus de fora, assumindo compromissos para agradar a socialistas, liberais e até aos Verdes, nomeadamente o de apresentar um “acordo verde” para a Europa nos primeiros 100 dias no cargo.

Evocando Simone Veil, a primeira mulher a presidir a assembleia europeia, a política alemã prometeu lutar por uma União Europeia mais justa, em que “ninguém fica para trás”, e em que seja a “economia a servir os cidadãos” e não o inverso.

Nesse sentido, Von der Leyen mostrou-se preparada para assegurar um salário mínimo justo em todos os Estados-membros, “uma maior proteção para aqueles que perdem o seu emprego em tempos de crise”, e um maior apoio a crianças e jovens, designadamente ao ir ao encontro da ideia do PE de triplicar o orçamento do Erasmus no próximo Quadro Financeiro Plurianual.

A ainda ministra alemã da Defesa tentou ‘seduzir’ a bancada dos Socialistas e Democratas (S&D), comprometendo-se a completar a União de Capitais, a recorrer à flexibilidade do Pacto de Estabilidade e Crescimento e a taxar os gigantes tecnológicos a operar na União Europeia, três das bandeiras defendidas pelos socialistas.

“Não deve haver qualquer compromisso quanto ao respeito pelo Estado de Direito. A Comissão irá defender o Estado de Direito sempre que for atacado”, garantiu, afastando as dúvidas expressas por socialistas e liberais na passada semana, após a ronda de consultas da candidata com os grupos políticos em Bruxelas.

Também no que toca às migrações, Von der Leyen foi perentória: “No mar, há o dever de salvar vidas. E nos nossos tratados e convenções há o dever moral de respeitar a dignidade humana. A UE deve salvar, mas salvar não é suficiente. Temos de combater o crime organizado, melhorar a situação de refugiados”.

Para a alemã, a UE precisa de “empatia”, pelo que proporá um novo Pacto de Migrações e Asilo.

“Temos de modernizar o nosso sistema de asilo, um sistema de asilo comum tem de ser isso mesmo, comum. Precisamos de solidariedade e uma nova forma de partilha de responsabilidade”, completou, revelando que há quatro anos acolheu um refugiado sírio, de 19 anos, em sua casa, e que este se tornou “uma inspiração para todos”

Numa declaração muitas vezes aplaudida, e ‘recheada’ de promessas, a candidata indigitada pelo Conselho Europeu em 02 de julho assegurou que a sua Comissão Europeia será paritária.

“Se os Estados-membros não propuserem mulheres, não hesitarei em pedir outro nome”, asseverou, antes de anunciar a intenção de incluir a violência contra mulheres nos crimes previstos nos tratados europeus.

O momento mais ‘tenso’ da intervenção de Ursula Von der Leyen diante dos eurodeputados aconteceu com a referência à saída do Reino Unido da União Europeia, com os britânicos a aplaudirem quando a política alemã lamentou o ‘Brexit’ e a apuparem quando se mostrou disponível a adiá-lo para lá de 31 de outubro.

O Parlamento Europeu vota hoje, às 18:00 horas (menos uma hora em Lisboa) a nomeação da alemã Ursula von der Leyen, candidata designada pelo Conselho Europeu, para a presidência da Comissão Europeia.

AMG // FPA

By Impala News / Lusa

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