Volume de negócios do Setor Empresarial do Estado cabo-verdiano caiu para 16,7% do PIB

As 33 empresas detidas ou participadas pelo Estado cabo-verdiano registaram prejuízos de 25,5 milhões de euros em 2021, tendo o volume de negócios caído pelo terceiro ano consecutivo, para o equivalente a 16,7% do PIB.

Volume de negócios do Setor Empresarial do Estado cabo-verdiano caiu para 16,7% do PIB

Volume de negócios do Setor Empresarial do Estado cabo-verdiano caiu para 16,7% do PIB

As 33 empresas detidas ou participadas pelo Estado cabo-verdiano registaram prejuízos de 25,5 milhões de euros em 2021, tendo o volume de negócios caído pelo terceiro ano consecutivo, para o equivalente a 16,7% do PIB.

De acordo com o Relatório de Desempenho do Setor Empresarial do Estado (SEE) de Cabo Verde, cuja versão final relativa a 2021 foi publicada hoje pela Unidade de Acompanhamento do Setor Empresarial do Estado (UASE), do Ministério das Finanças, o volume de negócios destas empresas caiu para cerca de 30.100 milhões de escudos (275,3 milhões de euros).

Em 2020, o volume de negócios do SEE cabo-verdiano foi superior a 31.747 milhões de escudos (290,5 milhões de euros), equivalente a 19,1% do Produto Interno Bruto (PIB), e no ano anterior, ainda sem os efeitos da pandemia de covid-19, ascendeu a mais de 43.660 milhões de escudos (399,4 milhões de euros), representando então 22,4% do PIB.

Globalmente, as 33 empresas do SEE de Cabo Verde apresentaram em 2021 resultados líquidos negativos de mais de 2.783 milhões de escudos (25,5 milhões de euros), quando em 2020 também foram negativos, em quase 3.795 milhões de escudos (34,7 milhões de euros), e no ano anterior igualmente prejuízos, mas de 2.867 milhões de escudos (26,2 milhões de euros).

“Ao longo dos anos, o Estado tem vindo a investir em empresas dos mais diversos setores da atividade económica, conforme as necessidades de dinamização das mesmas”, explica o relatório, que analisa as contas de 33 empresas, sendo que 25 pertencem à carteira principal, onde o Estado detém mais de 51% do capital social.

“A crise financeira provocada pela pandemia da covid-19, agravada pelo surgimento de novas variantes da covid-19, principalmente no final do ano em análise, bem como, pela crise energética, teve um impacto bastante significativo nas atividades das empresas do SEE, sendo a sua repercussão mantida no ano todo. Em linha com a dinâmica negativa do volume de negócios de aproximadamente 28,2%, registada em 2020, em 2021 verifica-se uma manutenção da tendência, embora menos acentuada, tendo-se registado uma diminuição global de 10,0%”, lê-se no documento.

Em 2021, o Estado transferiu para estas empresas mais de 5.164 milhões de escudos (47,2 milhões de euros), contra os 5.289 milhões de escudos (48,4 milhões de euros) em 2020 e os 7.607 milhões de escudos (69,6 milhões de euros) no ano anterior.

“As transações do Estado para as empresas do SEE são realizadas porque as empresas muitas vezes necessitam de contrair empréstimos em condições preferenciais visando, por exemplo, baixar o custo do financiamento e, consequentemente, o risco para a entidade que concede o empréstimo. Ainda, devido às dificuldades que algumas empresas do SEE apresentaram durante a crise pandémica e, consequente, retoma das suas atividades, o Estado teve de apoiá-las com vista a garantir a continuidade das operações e o normal funcionamento das mesmas, protegendo o emprego e o rendimento das famílias e das empresas”, acrescenta o relatório.

No sentido contrário, as 33 empresas analisadas pagaram ao Estado, em rendas, concessões e impostos mais de 1.413 milhões de escudos (12,9 milhões de euros) em 2021, contra os 1.863 milhões de escudos (17 milhões de euros) em 2020 e os 4.106 milhões de escudos (37,5 milhões de euros) no ano anterior.

O SEE cabo-verdiano conta com sete empresas ligadas à indústria, agricultura e pescas, seis na energia e água, cinco ao setor das comunicações, cinco nos transportes, quatro na área financeira e imobiliária, três na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, outras três do turismo e afins, mas o atual Governo tem em curso um programa de privatizações e concessões de algumas destas.

Globalmente, estas empresas fecharam 2021 com um ativo de mais de 120.545 milhões de escudos (1.103 milhões de euros), para um passivo total de 107.175 milhões de escudos (980,5 milhões de euros).

PVJ // PJA

By Impala News / Lusa

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