Visita de Merkel significa que é possível fazer negócios em Angola — embaixador

O embaixador alemão em Angola disse hoje que o país precisa de tempo para ganhar a confiança dos investidores, mas assinalou que a visita da chanceler Angela Merkel pretende mostrar que é possível fazer negócios no país.

Visita de Merkel significa que é possível fazer negócios em Angola -- embaixador

Visita de Merkel significa que é possível fazer negócios em Angola — embaixador

O embaixador alemão em Angola disse hoje que o país precisa de tempo para ganhar a confiança dos investidores, mas assinalou que a visita da chanceler Angela Merkel pretende mostrar que é possível fazer negócios no país.

“A reputação de Angola está a mudar, mas não de um momento para o outro, vão precisar de algum tempo para ganhar a confiança dos investidores alemães, mas esse é precisamente um dos objetivos da visita da chanceler”, afirmou em entrevista à Lusa Dirk Lölke.

O diplomata realçou que a inclusão de Angola no périplo africano de Angela Merkel pretende dar dois sinais: um, político, de que a Alemanha apoia as reformas que estão a ser levadas a cabo por João Lourenço, outro, económico, de que é possível fazer negócios em Angola.

“Isto vai ser mostrado de forma clara com decisões económicas de empresas privadas”, que acompanham Merkel na visita.

Questionado sobre o impacto da investigação ‘Luanda Leaks’, que expôs os esquemas financeiros na origem do império da filha do ex-Presidente, Isabel dos Santos, admitiu que, no curto prazo, podem “criar mais dúvidas aos investidores alemães”, mas serve ao mesmo tempo para acelerar a luta do Governo contra a corrupção, pondo mais pressão sobre o Governo e a Justiça angolana.

A Alemanha tem uma presença forte na vizinha África do Sul, mas incipiente em Angola, contando atualmente com pouco mais de uma centena de cidadãos residentes e a presença de cerca de 30 empresas.

Entre estas estão gigantes multinacionais como a Siemens, além de empresas que atuam sobretudo em áreas tecnológicas e nas energias renováveis, mas também engenharia e indústria.

O diplomata reconheceu que a reputação do país ainda afasta as empresas, sobretudo as de pequena e média dimensão, que constituem maioritariamente o tecido empresarial alemão.

“Estas poderão ser mais céticas, mais cautelosas quanto a vir para um país que não conhecem tão bem, que não falam a língua. Por isso trazê-las cá para ver as oportunidades e potencial do país pode ser importante”, disse Dirk Lölke, frisando estar “a trabalhar para atrair mais empresas alemãs”.

Angela Merkel faz-se acompanhar de uma delegação de empresários e está prevista a assinatura de acordos em várias áreas.

O embaixador mostrou-se convicto de que os investidores alemães estarão também atentos ao programa de privatizações lançado por João Lourenço no ano passado e destacou que, apesar de Angola continuar mal posicionada, no que diz respeito aos ‘rankings’ mundiais quanto à facilidade de fazer negócios, as reformas que o Presidente iniciou há dois anos “estão a levar o país numa boa direção”.

Por isso, realçou, a chanceler regressa ao país após uma primeira visita em 2011, numa altura em que “o enquadramento das relações bilaterais e o ambiente de negócios” mudaram.

Sobre os resultados da visita, Dirk Lölke espera que se traduzam numa aceleração das relações bilaterais, e na intensificação do diálogo político, que deverá abordar também a estabilidade regional.

Reconhecendo os esforços de Angola na mediação de tensões regionais como, tem sido feito, por exemplo, na cimeira quadripartida entre os Presidentes João Lourenço, Félix Tshisekedi (República Democrática do Congo), Paul Kagame (Ruanda) e Yoweri Museveni (Uganda), recentemente realizada em Luanda, considerou que se trata de “um bom exemplo” de como o país tem exercido uma influência positiva na região.

Além do diálogo político e apoio às reformas do executivo angolano e das decisões económicas ainda por anunciar, a agenda de Angela Merkel inclui também um intercâmbio académico, estando previsto um encontro com antigos estudantes angolanos na Alemanha.

RCR // LFS

By Impala News / Lusa

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