Violência pós-eleitoral na Costa do Marfim leva ao encerramento de mina de bauxite

A violência eleitoral na Costa do Marfim levou ao encerramento de uma mina de bauxite num depósito no centro-leste do país, onde os confrontos já mataram 85 pessoas, afirmou o chefe da exploração citado por agências noticiosas internacionais.

Violência pós-eleitoral na Costa do Marfim leva ao encerramento de mina de bauxite

Violência pós-eleitoral na Costa do Marfim leva ao encerramento de mina de bauxite

A violência eleitoral na Costa do Marfim levou ao encerramento de uma mina de bauxite num depósito no centro-leste do país, onde os confrontos já mataram 85 pessoas, afirmou o chefe da exploração citado por agências noticiosas internacionais.

“A mina está encerrada desde agosto, quando as manifestações políticas começaram. Estava prevista a produção de 300 mil toneladas para um volume de negócios de cinco mil milhões de francos CFA [7,6 milhões de euros]. Nem sequer produzimos um quilograma”, disse Moumouni Bictogo, o presidente da Lagune Exploitation Bongouanou (LEB), a empresa operadora, à agência France-Presse.

Bictogo espera poder retomar a atividade neste mês, caso as entradas para o porto de Abidjan, a cerca de 200 quilómetros, “estiverem abertas e seguras”.

A LEB emprega atualmente 200 pessoas e tem capacidade para 1.250 postos de trabalho no seu projeto de transformação com uma produção de 100 mil toneladas de bauxite por mês.

“A mina tem sido alvo de ataques (…), mas salvámos o material circulante”, assinalou o responsável da exploração, iniciada em 2019.

“Começámos a operar a mina em 2019 e esperávamos um pico de desenvolvimento em 2020. Infelizmente, acontecimentos sucessivos abrandaram os nossos objetivos — especialmente para refinarias externas”, detalhou.

Estendendo-se por 13 mil hectares, o depósito de bauxite de Bénéné tem potencial para 245 milhões de toneladas deste mineral.

O depósito situa-se entre Daoukro, um bastião do antigo Presidente e líder da oposição Henri Konan Bédié, e Bongouanou, cidade do opositor e ex-primeiro-ministro Pascal Affi N’Guessan.

As duas cidades têm sido palco de confrontos intercomunitários que provocaram cerca de 15 mortos desde agosto. Desde então, episódios de violência relacionados com as eleições na Costa do Marfim fizeram pelo menos 85 mortos e quase 500 feridos.

A oposição contesta a reeleição do Presidente, Alassane Ouattara, para um terceiro mandato, algo que considera inconstitucional.

Segundo o Conselho Constitucional da Costa do Marfim, Alassane Ouattara foi reeleito para um terceiro mandato com 94,27%, ou seja, 3.031.483 votos de um total de 3.215.909 votos.

O antigo presidente Henri Konan Bédié terminou em terceiro com 1,66% (53.330 votos) e o antigo primeiro-ministro Pascal Affi N’Guessan em quarto com 0,99% (31.986 votos).

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara tinha anunciado em março que iria desistir de uma nova candidatura, antes de mudar de ideias em agosto, após a morte do candidato presidencial do seu partido e então primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly.

O subsolo do país contém uma elevada diversidade de minerais, incluindo ouro, diamantes, ferro, níquel, manganês, bauxite e cobre.

A atividade mineira corresponde a 05% do produto interno bruto da Costa do Marfim.

JYO // LFS

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS