Vídeo de jornalista zimbabueano contra Governo torna-se viral

O jornalista de investigação zimbabueano Hopewell Chin’ono, detido três vezes nos últimos seis meses depois de críticas ao Governo do país, lançou uma melodia, com humor, que se tornou viral entre os seus compatriotas nas redes sociais.

Vídeo de jornalista zimbabueano contra Governo torna-se viral

Vídeo de jornalista zimbabueano contra Governo torna-se viral

O jornalista de investigação zimbabueano Hopewell Chin’ono, detido três vezes nos últimos seis meses depois de críticas ao Governo do país, lançou uma melodia, com humor, que se tornou viral entre os seus compatriotas nas redes sociais.

O jornalista de investigação zimbabueano Hopewell Chin’ono, detido três vezes nos últimos seis meses depois de críticas ao Governo do país, lançou uma melodia, com humor, que se tornou viral entre os seus compatriotas nas redes sociais.

Num vídeo com cerca de um minuto publicado nas suas páginas nas redes e plataformas sociais, Chin’ono canta “dem loot” [eles roubam] ao som de um ritmo ‘reggae’, enumerando o que alega serem efeitos da corrupção do Estado na vida dos professores, médicos ou nas infraestruturas zimbabueanas.

“Hospitais sem medicamentos, eles roubam. Juventude desempregada, eles roubam. Não há água para beber nos bairros, eles roubam”, canta Chin’ono numa gravação que diz ter sido improvisada.

O vídeo, que se tornou viral, originou um desafio que leva os utilizadores das redes a fazerem a sua própria versão com outros ritmos.

A divulgação do vídeo ocorreu poucos dias depois de ter sido libertado, sob caução, em 27 de janeiro.

Libertado sob fiança, Hopewell Chin’ono teve de entregar o seu passaporte e o título de propriedade da sua casa em Harare. Em prisão domiciliária, deve apresentar-se duas vezes por semana na esquadra da polícia.

O tribunal também o proibiu de utilizar a sua conta no Twitter para “incitar a manifestações” até que seja julgado.

Até aí, Chin’ono esteve detido três semanas numa prisão de segurança máxima, numa secção dedicada a assassinos e violadores, depois de ter feito uma publicação na plataforma Twitter contra o Governo, algo que considerou ter sido “um desejo de o humilharem”.

Chin’ono encontrava-se detido por ter publicado uma denúncia de que a polícia tinha matado uma criança enquanto aplicava as regras de confinamento.

Mais tarde, a polícia declarou que a informação era falsa e que a criança estava viva. Chin’ono enfrenta uma multa ou pena até 20 anos de prisão, se for condenado por divulgar uma notícia falsa.

Antes da última detenção, Chin’ono estava em liberdade, também sob caução, depois de ter sido detido e acusado de incitamento à violência por ter manifestado apoio a um protesto antigovernamental em julho, e também por alegadas acusações de corrupção no seio do Ministério Público zimbabueano.

Chin’ono é um dos mais proeminentes críticos da administração do Presidente Emmerson Mnangagwa do Zimbabué, que tem acusado de corrupção e abusos dos direitos humanos. O governo nega as acusações.

Foi detido pela primeira vez em julho, após ter apelado a uma manifestação contra a corrupção governamental.

Em 2020, Hopewell Chin’ono esteve detido por várias semanas, considerando que estava a ser julgado por expor a corrupção, incluindo contratos destinados à compra de medicamentos e material de proteção contra a covid-19, num escândalo que levou à detenção e demissão do ministro da Saúde zimbabueano.

O Zimbabué ocupa a posição 126, entre 180 países, no índice da liberdade de imprensa, um ‘ranking’ realizado pela Repórteres sem Fronteiras e classifica a liberdade de imprensa no mundo.

 

 

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