Venezuelanos realizaram 671 protestos num mês para reivindicar vários direitos

Os venezuelanos continuam a protestar para exigir direitos económicos, sociais, culturais, ambientais e vacinas contra a covid-19, segundo um relatório divulgado hoje pelo Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais.

Venezuelanos realizaram 671 protestos num mês para reivindicar vários direitos

Venezuelanos realizaram 671 protestos num mês para reivindicar vários direitos

Os venezuelanos continuam a protestar para exigir direitos económicos, sociais, culturais, ambientais e vacinas contra a covid-19, segundo um relatório divulgado hoje pelo Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais.

“O OVCS registou 671 protestos durante o mês de julho de 2021, equivalente a 22 protestos por dia. Este valor representa um aumento de 3% em comparação com os 649 (protestos) registados durante o mesmo período do ano passado”, refere o relatório, divulgado em Caracas.

Segundo o documento, 91 protestos tiveram como propósito exigir vacinas contra a covid-19 e 442 (66%) para reivindicar Direitos Económicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DESCA).

“Mantêm-se as demandas de serviços básicos e aumentaram as reclamações devido ao défice na distribuição e comercialização de combustíveis, falhas na recolha de água servidas (esgoto), no serviço de internet, iluminação pública e (condições das) estradas”, explica o relatório.

Segundo o OVCS, 229 protestos (34%) estiveram relacionados com a exigência de direitos civis e políticos, e com atividades a favor e contra a marcação de eleições regionais para 21 de novembro.

Houve ainda protestos “contra a campanha de criminalização, perseguição e detenção arbitrária de ativistas dos direitos humanos e dissidentes políticos”.

Por outro lado, familiares de detidos constestaram os atrasos judiciais, e “as cada vez mais graves condições dos cárceres venezuelanos” e por outro os trabalhadores manifestaram-se “rejeitando o salário mínimo oficial de menos de dólares por mês”.

“Profissionais da saúde condenaram a injusta detenção da enfermeira Ada Macuare, depois de participar em um protesto para denunciar a escassez de materiais (médicos) num centro de saúde, para exigir vacinas contra a covid-19 e um melhor salário”, sublinha o relatório.

Ainda sobre a caraterização dos protestos, o OVCS indica que os professores reclamaram condições para o regresso a aulas presenciais nos próximos meses, e que motoristas, produtores agrícolas, pescadores e comerciantes protestaram por perdas e prejuízos ocasionados pela falta de combustível no país.

Dos 671 protestos registados em julho, 440 foram concentrações, 258 tiveram a exibição de cartazes, 103 decorreram através do bloqueio de ruas e avenidas, 34 foram greves e 18 em marchas.

O OVCS diz ter documentado, durante os últimos anos, protestos diários motivados por falhas no abastecimento de água potável, eletricidade e gás doméstico e explica que “o colapso dos serviços básicos continua, as medidas e políticas públicas exercidas pelas autoridades competentes têm sido insuficientes ou inexistentes”.

Em julho de 2021, o estado de Anzoátegui (60) foi a localidade do país com mais protestos (60), seguindo-se Trujillo (56), Bolívar (52), Lara (51), Táchira (50), Falcón (43), Portuguesa (42), Arágua e o Distrito Capital (ambos com 32 cada).

Registaram-se ainda protestos em Carabobo e Sucre (28 em cada), Barinas (25), Cojedes (18), Zúlia (16), Nova Esparta (15), Apure (12), Yaracuy (11), Delta Amacuro e Vargas (8 cada), e Guárico (6).

“Vale a pena sublinhar que pessoas que simpatizam com o regime de (Nicolás) Maduro reclamaram alegadas irregularidades e corrupção nas eleições internas do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv)”, sublinha o observatório.

FPG // CC

By Impala News / Lusa

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