União Africana pede solução baseada no diálogo para tensão política na Somália

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, apelou hoje a um “diálogo” entre o primeiro-ministro e o Presidente somalis para encontrar “uma solução política” após o agravamento das tensões no país do Corno de África.

União Africana pede solução baseada no diálogo para tensão política na Somália

União Africana pede solução baseada no diálogo para tensão política na Somália

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, apelou hoje a um “diálogo” entre o primeiro-ministro e o Presidente somalis para encontrar “uma solução política” após o agravamento das tensões no país do Corno de África.

De acordo com um comunicado da União Africana (UA), Mahamat acompanha “com profunda preocupação” a “grave tensão política na Somália”, que se intensificou no dia 27, quando o Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed Farmaajo ordenou a suspensão dos poderes do primeiro-ministro, Mohamed Hussein Roble.

Após a iniciativa do Presidente – que apontou o primeiro-ministro como suposto responsável por um caso de corrupção – Roble e vários opositores acusaram Farmaajo de ter tentado dar um golpe de Estado.

O anúncio de Farmaajo foi seguido de um visível desdobramento de militares na capital, Mogadíscio, com membros das Forças Armadas a tentarem impedir o primeiro-ministro de aceder ao seu gabinete, localizado no complexo da residência presidencial, conhecido como Villa Somalia.

Por sua vez, através da rede social Twitter, o gabinete de Roble descreveu a decisão presidencial como “uma tentativa fracassada para ocupar militarmente o gabinete do primeiro-ministro” e de “uma violação da Constituição e de outras leis”.

As eleições presidenciais deste país, já adiadas várias vezes, chegaram a ser marcadas para 10 de outubro, mas não se realizaram devido a desentendimentos políticos.

A câmara baixa do parlamento aprovou em 12 de fevereiro a prorrogação do mandato do Presidente Farmaajo por mais dois anos – que havia expirado quatro dias antes -, mas o Senado [câmara alta] considerou a medida como inconstitucional por não ter o consenso das duas câmaras.

Essa situação desencadeou uma grande crise política e, em 25 de abril, os confrontos entre fações opostas do Exército – a favor e contra a prorrogação do mandato — provocaram pelo menos 13 mortos e 22 feridos em Mogadíscio, segundo fontes médicas confirmadas à Efe.

No final de abril, Farmaajo renunciou à extensão do seu mandato e ordenou que Roble dirigisse o processo de preparação das eleições.

Já em setembro passado, uma nova escalada de tensão entre os dois fez Farmaajo suspender os poderes de Roble para nomear e demitir funcionários públicos, medida que o primeiro-ministro rejeitou, acusando o Presidente de “interpretar mal” artigos da Constituição.

O adiamento sistemático das eleições desvia a atenção de outros problemas, nomeadamente a luta contra o grupo ‘jihadista’ Al-Shabab, que controla áreas rurais no centro e no sul e quer estabelecer um Estado islâmico ‘wahhabi’ (ultraconservador) na Somália.

O país vive um estado de conflito e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, deixando a Somália sem um governo efetivo e nas mãos de senhores da guerra e milícias islâmicas, como o Al-Shabab.

EL // LFS

By Impala News / Lusa

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