UGT suspeita de cartelização na banca para despedimentos no setor

UGT manifestou, numa carta ao primeiro-ministro, a suspeita de cartelização entre os grandes bancos para redução inédita de postos de trabalho no setor, alegando efeitos da pandemia

UGT suspeita de cartelização na banca para despedimentos no setor

UGT suspeita de cartelização na banca para despedimentos no setor

UGT manifestou, numa carta ao primeiro-ministro, a suspeita de cartelização entre os grandes bancos para redução inédita de postos de trabalho no setor, alegando efeitos da pandemia

Lisboa, 22 jul 2021 (Lusa) – A UGT manifestou hoje, numa carta ao primeiro-ministro, a suspeita de que existe cartelização entre os grandes bancos para uma redução inédita de postos de trabalho no setor, alegando os efeitos da pandemia da covid-19.

“A situação na banca é tão dramática que a UGT e os seus sindicatos do setor (Mais Sindicato, SBN e SBC) se atrevem a suspeitar que existe cartelização entre os grandes bancos para uma redução histórica e inédita de postos de trabalho no setor à custa da pandemia e dos seus efeitos”, alertou a central sindical numa carta a António Costa.

A UGT questiona na missiva a possibilidade de, “em nome de um eventual fator concorrencial”, todos os bancos terem “decidido em simultâneo extinguir milhares de postos de trabalho”.

Uma centena de sindicalistas da UGT manifestaram-se hoje junto à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, onde entregaram uma carta reivindicativa a reclamar urgência na resolução dos problemas dos trabalhadores portugueses.

Na carta dirigida a António Costa, a central sindical expõe “um conjunto de preocupações, que afetam centenas de milhares de trabalhadores”, no contexto da pandemia da covid-19, “aproveitado por muitos para promover a desregulação laboral, impondo restruturações agressivas e intoleráveis pela pressão e assédio”.

Lembrando a disponibilidade de sempre da UGT e dos seus sindicatos para o diálogo social, a central criticou alguns membros do Governo por não compreenderem as virtudes da negociação coletiva, nomeadamente os ministros da Educação, da Saúde, da Justiça e da Administração Pública.

“O exemplo vem sempre de quem está no topo da governação do Estado. E o setor privado copia sempre o que de pior o Estado exemplifica”, diz o documento.

A carta salienta “a destruição de milhares de postos de trabalho”, em empresas como a TAP, a Altice e na banca, “situações a que urge pôr cobro”.

A carta, com oito páginas, fala ainda do bloqueio da negociação coletiva e da secundarização da concertação social.

Defende que sejam retomados os valores das indemnizações por despedimento que vigoravam antes da intervenção da ‘troika’ e a imposição ao setor privado de limites nos despedimentos e rescisões.

A carta da UGT, aprovada por unanimidade em secretariado nacional, termina com a central a disponibilizar-se para “transmitir de viva voz as preocupações que grassam na sociedade portuguesa e que carecem de uma resposta social e política urgente”.

A entrega da carta foi antecedida por discursos de protesto de dirigentes das principais estruturas sindicais da UGT.

Foi o caso de José Abraão, secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública, que reclamou a retoma das negociações no setor, com vista à melhoria dos salários e das carreiras, sob pena de serem desencadeados protestos nacionais ou setoriais, nomeadamente greves.

Antes da concentração de protesto, durante a manhã, realizou-se a reunião mensal do secretariado nacional da UGT que aprovou uma moção em defesa dos trabalhadores bancários, vítimas de despedimentos, e a reivindicar a intervenção do Governo para que acabe com “o clima de chantagem e medo que se vive na banca”.

Grandes bancos portugueses preveem cortar milhares de postos de trabalho, sendo BCP e Santander Totta os que têm processos mais ‘agressivos’.

O Santander Totta tem um plano de reestruturação que prevê a saída de mais 685 pessoas através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego), depois de centenas já terem saído desde setembro de 2020. A comissão de trabalhadores estima que as saídas ascendam a 1400 funcionários entre setembro de 2020 e o mesmo mês deste ano.

Já o BCP quer que saiam 1.000 empregados através de reformas antecipadas ou rescisões por mútuo acordo (sem acesso a subsídio de desemprego).

A UGT aprovou ainda uma moção a reclamar o cumprimento do Acordo coletivo das Águas de Portugal e o Acordo de Empresa da EPAL, nomeadamente a atualização dos salários.

RRA (IM)// JNM

By Impala News / Lusa

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